Notas do autor: do passado distante à Terra dos Cornos

Confesso: quando comecei a escrever a lenda do rei-destino para o site, não esperava que fosse me delongar tanto. A ideia era apresentar toda a história em um único texto, mas quando este começou a ficar grande demais, achei melhor dividi-lo em partes. Como consequência não-intencional, desviei-me um pouco do objetivo mais imediato do site, que é tratar de assuntos mais próximos a Zé Calabros na Terra dos Cornos, o primeiro livro das Crônicas Anímicas. O leitor pode ter se perguntado: "afinal, qual a relação da lenda do rei-destino com a sinopse do livro? Onde estão os cangaceiros? Os coronéis? E a caatinga e o sertão?" Bem, visto que não quero dar spoilers antes de lançar a obra, sou forçad

O renascimento de um mundo

Quando os oito heróis partiram para confrontar o rei-destino, eles não foram sozinhos. Ao longo de suas jornadas, cada um deles havia inspirado pessoas, reunido seguidores, treinado discípulos. No momento derradeiro, os oito haviam se tornado uma legião. O rei-destino, porém, crente de sua invencibilidade, concentrava-se em construir sua nova nação. Nas ruínas a leste da Grande Fenda, ele ergueu uma montanha alta e solitária. Os complexos cavernosos sob a rocha seriam seu novo palácio; no pináculo, ficaria seu novo trono. A arrogância do rei-destino permitiu à legião avançar. Com Olaf e Austgar à frente, os heróis se defrontaram com os exércitos do adversário. Muitos aventureiros, de nomes

A significância da coragem

Mesmo os que se curvavam pelo medo não mais seriam poupados. Por todos os cantos do continente, dragões e fanáticos sanguinários devastaram as cidades que ainda restavam. Sobreviventes fugiam para recônditos inóspitos, onde muitos sucumbiram à fome, ao frio ou às feras selvagens. O rei-destino estava satisfeito. Restavam poucos elementos imperfeitos e súditos desleais para serem extirpados. Em breve, sorria o monarca ensandecido, um novo mundo renasceria das cinzas do antigo. Haveria união, paz e prosperidade sob uma única bandeira. Todos os sacrifícios valeriam a pena. Em sua arrogância, porém, o rei-destino não percebeu que alguns ainda lutavam contra ele, vindos de diferentes partes. Dos

O fim da sabedoria

O rei-destino tinha razão em temer a insurreição de seus súditos imortais. A queda dos Pilares finalmente unificou os oráculos, guardiões de vastos segredos de magia. A despeito de seus grandes poderes, os oráculos sempre tiveram um papel passivo diante do passar das eras. Sua missão era observar o império e aconselhar seu rei, e a praxe ditava que a ação de um oráculo poderia ser desfeita ou oposta por outro, de forma que apenas o consenso lhes permitia agir livremente. Tal consenso demorara a ser alcançado. Os primeiros a falar contra o rei foram os oráculos do fogo e dos ventos, Biorcus Kaen'Sunth e Aura Dos'Kaer. Com muita relutância, os outros um a um cederam, mas quando o último deles

Crias distorcidas da loucura

O mundo foi surpreendido quando o rei-destino iniciou seu grande desígnio. Da noite para o dia, nações periféricas foram consumidas em fogo, levadas pelas águas ou engolidas pela terra. Para confusão dos súditos, não tardou para que mesmo cidades no coração do império sofressem semelhante fado. O rei-destino estava obcecado em purificar o mundo, para que uma nova era esplendorosa se erguesse das ruínas. Mesmo diante da própria destruição, muitos cidadãos e soldados se juntaram àquela cruzada insana. Alguns se curvavam por medo, na esperança de serem poupados. Outros o fizeram com fervor, aderentes ao sonho dourado. Batalhas sangrentas se seguiram em todos os cantos do mundo, mas toda oposi

A lenda do rei-destino

Este império fora erguido por um rei, Um mortal ascendido a deus vivente. A vontade do monarca ordenava o mundo, Mas nenhum homem governa eternamente. Há muito, muito tempo, todas as terras conhecidas estiveram sob o julgo de um único homem. Os povos de hoje o chamam de muitos nomes: Khem, Khan, Ka'mi-Ken, Caim, Al-Khalid, Diabo Velho... Mas um epíteto é quase sempre o mesmo: "o rei-destino". Como tal monarca ascendeu ao poder é um mistério. Há quem o descreva como o único homem a dobrar seu destino. Outros, que fora um deus manifesto em carne. Há quem o descreva como um guerreiro feroz ou um feiticeiro sem igual. Independente da forma de sua ascensão, ele se tornou poderoso e longevo. Pe

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Zé Calabros na Terra dos Cornos
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Tiago Moreira

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As Crônicas Anímicas

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