A significância da coragem



Mesmo os que se curvavam pelo medo não mais seriam poupados. Por todos os cantos do continente, dragões e fanáticos sanguinários devastaram as cidades que ainda restavam. Sobreviventes fugiam para recônditos inóspitos, onde muitos sucumbiram à fome, ao frio ou às feras selvagens.


O rei-destino estava satisfeito. Restavam poucos elementos imperfeitos e súditos desleais para serem extirpados. Em breve, sorria o monarca ensandecido, um novo mundo renasceria das cinzas do antigo. Haveria união, paz e prosperidade sob uma única bandeira. Todos os sacrifícios valeriam a pena.


Em sua arrogância, porém, o rei-destino não percebeu que alguns ainda lutavam contra ele, vindos de diferentes partes.


Dos mares do norte, veio o pirata, August. Desbravando as ondas com sua tripulação, esse ousado velejador destemidamente enfrentou tempestades, frotas imperiais e monstros marinhos.


Da ilha assolada por monstros colossais, surgiu a monja, Kamí. Mestra no uso tanto da espada como do cajado, é dito que ela era capaz de derrotar hordas inteiras.


Das areias escaldantes no centro do continente, o andarilho, Ismael. Um peregrino em busca de salvação, iluminado e abnegado, seu toque era capaz de curar, e suas palavras podiam arder as almas dos inimigos.


Das terras vulcânicas no nordeste longínquo, o soldado, Drago. Tanto guerreiro como feiticeiro, ele lutava como se dançasse no campo de batalha, e tanto as rochas como as chamas acompanhavam seus movimentos e obedeciam seus comandos.


E do próprio coração do império, veio Nazileus, um homem solitário, cujo grande propósito era ser o protetor de um jovem menino chamado Kalim. E, daquele propósito, tirava forças para realizar o impossível. Enquanto o menino precisasse dele, nada poderia pará-lo.


Ignorantes um do outro, esses cinco mortais enfrentaram agruras terríveis. Exércitos, assassinos, monstros, dragões, cataclismos. E, a cada desafio que lhes era oferecido, tornavam-se mais fortes.


Eventualmente, os caminhos de Nazileus e Ismael se cruzaram e, juntos, salvaram Drago da morte. A partir de então, defensor, beduíno e soldado lutariam lado a lado.


Kamí, por sua vez, ao chegar à terra dos anões, uma das raças imortais escravizadas pelo rei-destino, arregimentou o bárbaro indômito, Olaf Martelo do Destino. A monja e o anão então reuniram um pequeno exército de escravos para lutar por liberdade.


August, naufragando na ilha dos gigantes, conquistou a confiança do titânico Austgar Coração da Montanha. Seguindo rumores, os dois desbravaram as montanhas gélidas daquela terra em busca do último sábio. E lá, na "montanha do início do mundo", aguardava-os em exílio Biorcus Kaen'Sunth, oráculo decaído do fogo.


Despertado de seu estupor, o sábio Biorcus observou o mundo e viu sinais dos demais heróis. Atraindo-os até a terra dos gigantes, o oráculo decaído por fim reuniu a todos.


August, Austgar, Kamí, Olaf, Ismael, Drago, Nazileus, Biorcus. Cinco mortais. Três imortais. Unidos, partiriam ao encontro do rei-destino.



A seguir: O renascimento de um mundo

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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira