As altas ciências de Anima


Após a queda do rei-destino, eras atrás, a civilização teve praticamente de recomeçar do nada. O fim do velho império levou à perda de muito conhecimento antigo, e as novas nações que viriam a se erguer (e ruir) nos séculos seguintes tiveram de redescobrir os segredos do passado.


Felizmente, os sábios trabalharam arduamente, faculdades foram construídas em grandes capitais e exploradores se lançaram por todo aquele mundo novo. Matemática, engenharia, arquitetura, geografia, química e tantas outras especialidades voltaram a florescer em vários graus e diferentes terras.


Mas de todos os vários ramos científicos, seriam as assim chamadas "altas ciências" que mais teriam importância no desenvolvimento tecnológico das grandes nações. As altas ciências se diferenciam das "ciências naturais" por precisarem não só de treino, estudo e prática, mas também de vontade e talento inato do praticante. Não é qualquer um que pode impor sua vontade sobre o mundo físico.


A mais elevada das altas ciências é o arcanismo (ou, em termos mais simples, magia). Seus praticantes, chamados magistas, são capazes, através de concentração, técnica e vontade, de moldar, conjurar e evocar os elementos e forças essenciais do universo. Os mais altos magistas recebem o título de magus (ou maga), e são capazes de feitos assombrosos.


A prática de magia é vista com admiração e medo, tanto pela população quanto por governantes, mas sua necessidade fez com que as grandes nações investissem no desenvolvimento de academias arcanas. Praticamente todo rei tem um conjurador leal em sua corte, e todo exército mantém guerreiros e estrategistas com poderes mágicos. Em campos de batalha, a magia arcana é uma arma muito mais poderosa e confiável do que qualquer arco ou catapulta.


Infelizmente, o arcanismo tem uma limitação severa: é dependente da presença e talento do conjurador. O grande sonho dos magistas é descobrir formas de imbuir mágica permanente em objetos, como as lendas contam que o rei-destino era capaz de fazer. Todas as tentativas de replicar esta habilidade falharam, muitas vezes resultando em catástrofes ou objetos amaldiçoados.



Mas onde a magia falhou, uma outra alta ciência, a alquimia, teve sucesso, tornando-se mais disseminada e presente entre a população. Alquimistas são mais do que simples químicos: eles podem transmutar matéria, imbuindo-a com essências elementais e propriedades espantosas. Diferentes especializações desta ciência-arte levaram à criação das mais diversas substâncias miraculosas.


A produção alquímica de elixires, unguentos e bandagens, por exemplo, revolucionou a medicina, permitindo multiplicar em muitas vezes a cura natural do corpo. Substâncias imbuídas com fogo e ar se tornam explosivos potentes e combustíveis eficientes. Metais e pedras fortalecidas com alquimia permitem projetos ousados de arquitetura.


E, como produtos alquímicos podem ser estocados e transportados, seu comércio gera riquezas para as nações e permite que seus benefícios alcancem mesmo lugares onde não há alquimistas.


Há ainda uma terceira alta ciência, praticada há séculos, mas que só agora começa a ascender em algumas nações. Chamam-na de alta engenharia ou, segundo as más línguas, "engenhocaria".



O engenhoqueiro, como o alquimista, tem a fagulha da genialidade que permite a transmutação da matéria. Ao invés de aplicá-la a substâncias milagrosas, contudo, ele imbui peças com as características necessárias para compor máquinas maravilhosas. Isto é, se os fantásticos engenhos não explodirem ou se desmancharem no pior momento possível.


A alta engenharia ainda não é uma ciência totalmente confiável. Por isso, muitos governantes ainda desconfiam de seu potencial, mas sua capacidade de produzir maravilhas duradouras tem atraído mais e mais interesse de nações desenvolvidas.


Cada região de Anima investe em diferentes aspectos das ciências. Algumas, como Biorca e certas cidades-estado magocratas, favorecem a magia acima das demais. Outras, como a lendária cidade de Matríxia, lançou-se à frente no desenvolvimento da alta engenharia. Da mesma forma, muitos reis confiam mais na alquimia do que nas demais.


Viajar pelas terras de Anima é conhecer como essas diferentes culturas aplicam tais práticas. Por isso, não é estranho passar de um local com mágica evidente para outro dependente de grandes maquinários.


Embora as altas ciências sejam muitas vezes vistas como milagrosas, até mesmo sobrenaturais, há forças realmente místicas que competem na produção de efeitos incríveis. Elas, porém, serão assunto para o futuro.





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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira