Prévia: Capítulo 4


Mais uma semana, mais uma prévia do capítulo seguinte! Adiante, você encontra a primeira cena do Capítulo 4: Impossível é somente uma palavra!

E o que você encontrará no capítulo, que sai dia 27/01? Bem: lembranças do passado, revelações mágicas, perigos iminentes e, é claro, complicações da trama! Não perca!

Nove anos atrás...


"Cuidado! Dragão!"


O aviso despertou Zeca, que se encontrava escondido dentro do embornal do gigante Svar. Logo após, o menino sentiu um movimento súbito, seguido pelo forte impacto do gigante cair no chão. Zeca não sabia ao certo o que acontecia do lado de fora, mas os sacolejos e urros que se sucederam indicavam o início de um combate feroz. Curioso, o menino escalou o interior do embornal e expôs a cabeça pela fresta da abertura.


Um grande dragão de escamas douradas sobrevoou, abrindo a bocarra e vomitando uma onda de chamas sobre Svar e Brunnhardt. O anão nem se preocupou: recebeu o fogo com os braços abertos e uma risada provocadora. Já o gigante evadiu o ataque saltando para o lado e rolando no chão, mas seu movimento acabou arremessando Zeca para fora do embornal. O menino tombou no terreno empoeirado da caatinga, mas logo se pôs em pé e procurou por abrigo.


"Lagarto dos infernos!", berrou Brunnhardt, sacando seu imenso machado.


"É um batedor! Estamos próximos de Vol'kor!", riu Svar, fechando os punhos em prontidão.


Com os olhares atentos ao céu, nenhum dos dois percebeu a minúscula forma do menino se esconder no meio das pedras. A figura do enorme dragão trazia memórias e emoções terríveis do passado, mas Zeca ficou a observar atentamente a batalha.


Notando que suas chamas não afetariam Brunnhardt, o monstro se afastou, fez uma longa curva nos céus e se arremeteu na direção de Svar com a bocarra aberta, brilhando devido às chamas se acumulando na garganta.


"Venha, abominação miserável!", o gigante provocou. "Venha encarar a morte!"


"Por Ingeborg!", gritou Brunnhardt ao arremessar seu machado, que rodopiou no ar e atingiu o peito do dragão. O impacto não foi forte a ponto de cravar a lâmina, mas foi o suficiente para quebrar-lhe algumas escamas, perturbar o voo e fazê-lo cair.


"Bah! Anões são péssimos arremessadores!", disse Svar, já investindo contra o imenso ser reptiliano.


"Então da próxima vez derruba-o tu!", Brunnhardt retrucou, correndo para recuperar seu machado.


O dragão já se erguia sobre as quatro patas, pronto para cuspir fogo, quando Svar o alcançou num pulo e desferiu uma voadora em seu focinho, desviando a baforada. Pousando, o gigante girou o corpo e golpeou o cotovelo contra a cabeça da fera, rachando seus chifres e interrompendo a onda de chamas. Nem um segundo após, Svar bateu as palmas, atingindo o crânio do monstro entre elas e provocando um forte estrondo.


Atordoado, o dragão cambaleou e se virou, usando a cauda para afastar seu algoz. Balançou a cabeça, tentando recobrar o equilíbrio, e abriu as asas para voltar aos céus.


Brunnhardt surgiu num salto, urrando e erguendo o machado sobre a cabeça, e com um golpe preciso decepou uma das asas do monstro, que rugiu de dor.


Para surpresa de Zeca, o dragão grunhiu na língua comum: "Como OUSAM? Arrancarei seus membros, um por um!". A criatura golpeou cegamente com a cauda para afastar os adversários, até se distanciar o suficiente dos dois. Então, virou-se e rugiu em fúria, fazendo suas escamas e garras se banharem em fogo. "Mesmo que eu tombe hoje, vocês se aproximam das terras de Vol'koragrashtedarr! Eu serei vingado!"


Svar estalou os punhos e alongou o pescoço. "Se for assim, que nossas mortes sejam gloriosas! Gahahaha!"


"Dragões frouxos que dependem de escravos!", provocou Brunnhardt, apontando o machado. "Esmagaremos cada um dos vossos, até que consigais nos parar!"


Furioso, o dragão avançou sobre Svar, num frenesi de ataques com a boca e as garras, ao mesmo tempo em que mantinha Brunnhardt afastado com a cauda. O gigante evadia cada ataque com maestria, abaixando, rolando e saltando, mas a investida frenética o impedia de revidar.


Apesar da poderosa cauda ossuda balançando de um lado para o outro, Brunnhardt avançou sem nenhum medo, se deixando atingir e absorvendo o forte impacto como se fosse uma brisa. Então, golpeou o machado contra a coxa do monstro, fazendo a lâmina penetrar fundo na carne. O dragão berrou de dor.


Aproveitando-se da breve pausa, Svar agarrou o monstro, segurando o focinho com uma mão e a mandíbula com a outra, a despeito das chamas. "Você não está enfrentando fazendeiros e camponeses!", provocou o gigante, "Diante de você estão dois GUERREIROS!". E, num movimento rápido e impiedoso, empurrou cabeça e mandíbula em direções opostas, arrebentando a articulação do maxilar. Imediatamente, o dragão tombou inerte, e as chamas que o cobriam se dissiparam.


Anão e gigante se entreolharam ofegantes e bradaram ao céu, rindo juntos.


"À vitória!", disse Svar.


"Pelo Titanathlon!", respondeu Brunnhardt.


E urraram de novo e de novo.


Zeca estava boquiaberto, de olhos arregalados e tremulante. Os dois mataram um enorme dragão sem sofrer ferimentos sérios! Será que podiam mesmo desafiar Vol'kor? O menino ficou ali paralisado, entre o medo e o fascínio, até perceber que os dois retomaram a viagem e já se afastavam sem ele.


"Esperem!", gritou Zeca. "Não me deixem aqui!"


A princípio, os dois, ainda rindo e comemorando, não perceberam os apelos da minúscula criança que corria logo atrás. Contudo, logo deram-se conta de que não estavam sozinhos e pararam, virando-se espantados.


"José do Clã dos Calabros?", o gigante o reconheceu.


"Mas o que isso significa? O que tu estás a fazer nesta desolação?", Brunnhardt questionou.


"Eu me escondi nas coisas de vocês!", disse o menino, recuperando o fôlego. "Também preciso ir pra Vol'kor, já disse!"


"Ah, não, não, não!", disse Svar, irritado, "Já tivemos essa conversa antes, e você não pode ir conosco! Aquela terra não é lugar para crianças!".


"E vocês não podem me deixar aqui na Catinga Danada!", o menino respondeu. "Ou vou com vocês, ou me levam pra casa!"


Brunnhardt ficou ainda mais contrariado: "Que chantagem! Como podes atrapalhar nossa jornada desta maneira? Menino, tu és um estorvo, um grande fardo!"


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Zé Calabros na Terra dos Cornos
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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira