Capítulo 4: Impossível é somente uma palavra

Índice de Capítulos

Anterior: Está decidido

Nove anos atrás...


"Cuidado! Dragão!"


O aviso despertou Zeca, que se encontrava escondido dentro do embornal do gigante Svar. Logo após, o menino sentiu um movimento súbito, seguido pelo forte impacto do gigante cair no chão. Zeca não sabia ao certo o que acontecia do lado de fora, mas os sacolejos e urros que se sucederam indicavam o início de um combate feroz. Curioso, o menino escalou o interior do embornal e expôs a cabeça pela fresta da abertura.


Um grande dragão de escamas douradas sobrevoou, abrindo a bocarra e vomitando uma onda de chamas sobre Svar e Brunnhardt. O anão nem se preocupou: recebeu o fogo com os braços abertos e uma risada provocadora. Já o gigante evadiu o ataque saltando para o lado e rolando no chão, mas seu movimento acabou arremessando Zeca para fora do embornal. O menino tombou no terreno empoeirado da caatinga, mas logo se pôs em pé e procurou por abrigo.


"Lagarto dos infernos!", berrou Brunnhardt, sacando seu imenso machado.


"É um batedor! Estamos próximos de Vol'kor!", riu Svar, fechando os punhos em prontidão.


Com os olhares atentos ao céu, nenhum dos dois percebeu a minúscula forma do menino se esconder no meio das pedras. A figura do enorme dragão trazia memórias e emoções terríveis do passado, mas Zeca ficou a observar atentamente a batalha.


Notando que suas chamas não afetariam Brunnhardt, o monstro se afastou, fez uma longa curva nos céus e se arremeteu na direção de Svar com a bocarra aberta, brilhando devido às chamas se acumulando na garganta.


"Venha, abominação miserável!", o gigante provocou. "Venha encarar a morte!"


"Por Ingeborg!", gritou Brunnhardt ao arremessar seu machado, que rodopiou no ar e atingiu o peito do dragão. O impacto não foi forte a ponto de cravar a lâmina, mas foi o suficiente para quebrar-lhe algumas escamas, perturbar o voo e fazê-lo cair.


"Bah! Anões são péssimos arremessadores!", disse Svar, já investindo contra o imenso ser reptiliano.


"Então da próxima vez derruba-o tu!", Brunnhardt retrucou, correndo para recuperar seu machado.


O dragão já se erguia sobre as quatro patas, pronto para cuspir fogo, quando Svar o alcançou num pulo e desferiu uma voadora em seu focinho, desviando a baforada. Pousando, o gigante girou o corpo e golpeou o cotovelo contra a cabeça da fera, rachando seus chifres e interrompendo a onda de chamas. Nem um segundo após, Svar bateu as palmas, atingindo o crânio do monstro entre elas e provocando um forte estrondo.


Atordoado, o dragão cambaleou e se virou, usando a cauda para afastar seu algoz. Balançou a cabeça, tentando recobrar o equilíbrio, e abriu as asas para voltar aos céus.


Brunnhardt surgiu num salto, urrando e erguendo o machado sobre a cabeça, e com um golpe preciso decepou uma das asas do monstro, que rugiu de dor.


Para surpresa de Zeca, o dragão grunhiu na língua comum: "Como OUSAM? Arrancarei seus membros, um por um!". A criatura golpeou cegamente com a cauda para afastar os adversários, até se distanciar o suficiente dos dois. Então, virou-se e rugiu em fúria, fazendo suas escamas e garras se banharem em fogo. "Mesmo que eu tombe hoje, vocês se aproximam das terras de Vol'koragrashtedarr! Eu serei vingado!"


Svar estalou os punhos e alongou o pescoço. "Se for assim, que nossas mortes sejam gloriosas! Gahahaha!"


"Dragões frouxos que dependem de escravos!", provocou Brunnhardt, apontando o machado. "Esmagaremos cada um dos vossos, até que consigais nos parar!"


Furioso, o dragão avançou sobre Svar, num frenesi de ataques com a boca e as garras, ao mesmo tempo em que mantinha Brunnhardt afastado com a cauda. O gigante evadia cada ataque com maestria, abaixando, rolando e saltando, mas a investida frenética o impedia de revidar.


Apesar da poderosa cauda ossuda balançando de um lado para o outro, Brunnhardt avançou sem nenhum medo, se deixando atingir e absorvendo o forte impacto como se fosse uma brisa. Então, golpeou o machado contra a coxa do monstro, fazendo a lâmina penetrar fundo na carne. O dragão berrou de dor.


Aproveitando-se da breve pausa, Svar agarrou o monstro, segurando o focinho com uma mão e a mandíbula com a outra, a despeito das chamas. "Você não está enfrentando fazendeiros e camponeses!", provocou o gigante, "Diante de você estão dois GUERREIROS!". E, num movimento rápido e impiedoso, empurrou cabeça e mandíbula em direções opostas, arrebentando a articulação do maxilar. Imediatamente, o dragão tombou inerte, e as chamas que o cobriam se dissiparam.


Anão e gigante se entreolharam ofegantes e bradaram ao céu, rindo juntos.


"À vitória!", disse Svar.


"Pelo Titanathlon!", respondeu Brunnhardt.


E urraram de novo e de novo.


Zeca estava boquiaberto, de olhos arregalados e tremulante. Os dois mataram um enorme dragão sem sofrer ferimentos sérios! Será que podiam mesmo desafiar Vol'kor? O menino ficou ali paralisado, entre o medo e o fascínio, até perceber que os dois retomaram a viagem e já se afastavam sem ele.


"Esperem!", gritou Zeca. "Não me deixem aqui!"


A princípio, os dois, ainda rindo e comemorando, não perceberam os apelos da minúscula criança que corria logo atrás. Contudo, logo deram-se conta de que não estavam sozinhos e pararam, virando-se espantados.


"José do Clã dos Calabros?", o gigante o reconheceu.


"Mas o que isso significa? O que tu estás a fazer nesta desolação?", Brunnhardt questionou.


"Eu me escondi nas coisas de vocês!", disse o menino, recuperando o fôlego. "Também preciso ir pra Vol'kor, já disse!"


"Ah, não, não, não!", disse Svar, irritado, "Já tivemos essa conversa antes, e você não pode ir conosco! Aquela terra não é lugar para crianças!".


"E vocês não podem me deixar aqui na Catinga Danada!", o menino respondeu. "Ou vou com vocês, ou me levam pra casa!"


Brunnhardt ficou ainda mais contrariado: "Que chantagem! Como podes atrapalhar nossa jornada desta maneira? Menino, tu és um estorvo, um grande fardo!"



------------------------------------------



O presente...


Um fardo, Mara'iza era isso para Zé Calabros, mas havia algo naquela situação que para ele soava estranhamente familiar. "Você vai levar só isso pra viagem, abestalhada? Quer morrer de fome?"


Guardando a parca ração para viagem, insuficiente até para um dia, Mara'iza se voltou a Zé com um sorriso impertinente. "Pode parecer pouco para você, mas para mim é mais do que suficiente".


Aquela garota arrogante o irritava a cada gesto, ato e frase. "Vamos caminhar por mais ou menos uma semana, sem certeza de achar comida!", Calabros insistiu, abrindo o embornal e mostrando as rações que separara para sua sobrevivência — charque, paçoca e bolachas. "Você acha que esse pacotinho de nada vai bastar?"


"Para uma pessoa comum, claro que não", Mara'iza respondeu com convicção, "Mas não sou uma pessoa comum, sou?", questionou cheia de convencimento e mistério. Deu então as costas e deixou a barraquinha de vendas.


Zé respirou fundo e a seguiu, os dois se misturando à multidão já minguante do mercado. O sol alto anunciava a proximidade do meio-dia, e logo as barracas começariam a fechar. "Mas que diabo, moça! Por acaso você não come?"


Ela parou, fitando-o com aquele sorrisinho irritante. "Eu encantei meu desjejum esta manhã, potencializando os nutrientes. É o suficiente para me saciar por quatro dias!"


Zé Calabros se surpreendeu. "Mas que coisa! E dá de fazer isso na minha comida também?"


"Não adiantaria, encantar a comida é só metade do processo", ela esclareceu. "Você teria de ser um abjurador treinado para canalizar as energias quintessenciais imbuídas na refeição e potencializá-las numa forma de energia revitalizadora, compreende?"


"Ahn... Ah, sim, claro.", ele respondeu, com cara de quem não entendeu nada.


A menina riu.


Zé Calabros se ofendeu com a risada. "Fica se achando arretada, sua peste, mas bastou sair da barra da saia da madre pra arrumar confusão! Não fosse por mim, tinha batido as botas!"


"Ah, os bandidos? Tudo estava sob controle!", ela retrucou orgulhosa.


"Sei. Realmente, tive essa impressão quando você tava no chão, sendo chutada."


"Foi um truque, seu ogro tosco!", ela respondeu, perdendo a pose e mostrando o pesado livro que levava a tiracolo. "Eu precisava pegar meu grimório no chão!"


"E o que tem esse livro esquisito que não se molha?"


"É um livro sobre magia, e pode ser molhado sim, mas nas minhas mãos se torna especial! Ele é meu foco arcano!"


"Foco arcano? E que cargas d'água é isso?"


"É um objeto com o qual o magista se harmoniza e pelo qual canaliza seus feitiços. Sem seu foco em mãos, um conjurador fica limitado aos truques mais básicos. Alguns magistas usam cajados, orbes, cetros... Cada objeto tem um significado. Eu uso o grimório, que representa conhecimento e versatilidade!"


"Beleza... entendi...", Calabros disse, de novo sem entender nada.


"Ah, céus", irritou-se Mara'iza, levando a mão ao rosto. "Você é um idiota!"


Ele bateu o punho contra o peito estufado. "É, mas sem esse idiota aqui, a princesa não chega viva a Dragona!"


"Que fique claro que preciso só de um guia, não de um protetor!", a menina cravou. "Aposto que não há absolutamente nada que eu não possa fazer melhor do que você!"


Zé Calabros se esforçou para não esganá-la. "Como você consegue ser tão irritante?"


"O problema não sou eu, seu brutamontes", ela sorriu. "Você é quem se sente ameaçado por meus talentos. Eu faço maravilhas com o estalar dos dedos e, para colocar as coisas em perspectiva, sou apenas uma aprendiz, bem longe de alcançar meu potencial. Imagine do que serei capaz quando me tornar uma grande magista! Já você, o que pode fazer?"


Ele mostrou o punho fechado. "Eu soco as coisas! Bem na fuça!"


Mara'iza revirou os olhos, mal contendo o riso.


Zé Calabros, consternado, respirou fundo para se conter. "Que seja, sua 'Mala' insuportável! Mas anota bem isso aqui: um dia vou te mostrar o que meu punho pode fazer! E agora, me paga uma tapioca quente e garapa gelada, pra modo de viajar de bucho forrado!"



------------------------------------------



"Carece de cavar cova não, que cabra cá é irmão."


Dita a senha, o cangaceiro obteve passagem desimpedida pela mata. Seguiu adiante até a clareira onde faziam suas reuniões e, para sua surpresa, Mané do Cangaço reunia quase toda a tropa, cerca de vinte homens.


"Pestana", recebeu-o Mané do Cangaço, "Tem novidade pra mim?"


"Sim, Mané. Cagado, Podreira e os outros levaram uma tremenda surra e foram pegos pela guarda da cidade", respondeu o bandido.


"Então lascou-se! Isso me deixa ainda mais invocado! E cadê a diaba e o fí da ronquifuça que te mandei procurar?"


"Vi os dois no mercado, Mané. Tavam comprando comida pra viagem, viu! Tão se arribando da cidade ainda hoje!"


"Ora! Mas aí facilitou demais!", Mané abriu um sorriso amarelo e ralo, então se voltando aos homens ali reunidos: "Ouve aqui, cambada! Quero cês vigiando a mata e as estradas! Grupos de três, e se virem aqueles dois, um vem me contar e os outros seguem fazendo rastro! Não é pra atacar não, que a dívida dos lazarentos eu mesmo vou cobrar!"


"Mas, Mané", Pestana murmurou, "Severino mandou a gente vigiar a Coronel Malícia, pra modo dela não atrapalhar em Bota do Judas!".


"A gente não pode deixar um desaforo passar sem dar uma lição, senão o povo perde o respeito! E se essa menina tiver mesmo o tesouro que Podreira falou, aí Severino vai é agradecer a gente!"


------------------------------------------



Mais uma vez, as ruas de Curva do Vento se esvaziavam no início da tarde. Da praça central, Zé Calabros e Mara'iza seguiram pela avenida leste, deixando-a assim que chegaram à periferia, logo após passarem pelas muralhas. Atravessaram então as vielas e casebres rumo a sudoeste, evitando a estrada que levava para Bota do Judas.


Logo os casebres se tornaram mais esparsos e os terrenos baldios maiores, e à frente surgiram as árvores do Vale Verde. A região, delimitada pelos braços esquerdo e direito do Rio Seu Chico, era a única área vasta de mata densa da Cornália.


"Escuta aqui, Mala, pelos próximos dois ou três dias a gente vai evitar a estrada e atravessar a mata", Zé informou. "Vamos ter esconderijo e sombra nesse trecho, mas depois que passar o rio, só tem sertão e caatinga."


"Não tenho nenhum problema com isso", afirmou Mara'iza, sorridente e animada com o tão aguardado início da jornada.


A mata era composta por oiticicas, juazeiros, cajueiros e várias outras árvores altas e de galhos longos e retorcidos, formando uma copa frondosa de folhas verde-amarronzadas. Havia pouca vegetação rasteira no chão poeirento, mas as volumosas raízes e os galhos baixos eram obstáculos frequentes. O ar seco e o calor da tarde permaneciam intensos mesmo sob a proteção da sombra.


O calor incomodava pouco Zé Calabros, já acostumado com as agruras do sertão, mas ele esperava que uma branquela estrangeira e pomposa como Mara'iza fosse logo se exaurir. Para sua surpresa, contudo, ela suava bem menos do que ele. "Arre égua! Nem o calor te incomoda?"


"Nem um pouco!", ela exclamou sem interromper a caminhada, aproveitando mais essa chance para se exibir. "Alguns magistas se envolvem em auras de poder. Antes de partir de Gaz'zira, eu me envolvi numa aura protetora. A menos seja algo extremo, não me importunam nem o calor nem o frio. É como se eu sempre estivesse numa manhã bem amena! É uma pena que eu seja inexperiente demais para manipular mais do que uma aura de cada vez..."


"Ah, tá explicado", Zé murmurou, sem surpresa.


"Ora, não precisa fingir. Pode dizer que está impressionado!", ela sorriu.


"Na verdade, não estou nem um pouco", ele respondeu. "Já conheci um cabra que não se importava nem um pouco com o calor!"



------------------------------------------



Nove anos atrás...


Sob o sol intenso, Brunnhardt, sem uma gota de suor na face, esbravejou: "Se não fosse uma solução covarde, menino, deixar-te-íamos aqui no ermo para que tu aprendesse que decisões têm consequências!".


E Svar, limpando inutilmente o suor que descia constantemente da testa, completou: "Sua sorte, moleque, é que somos honrados. Nem todos de nossos povos seriam tão complacentes com sua transgressão! Mesmo que atrase nosso treinamento, vamos levá-lo de volta à sua vila!"


"Não! Eu quero ir pra Vol'kor!", insistiu Zeca.


"Não digas bobagem, pequeno!", o anão ergueu a voz, que se tornou como um trovão. "O que uma criança pode querer em nação tão desumana? O que buscas por acaso naquela terra de escravidão e morte?"


Svar, até então agachado, ergueu-se para mostrar toda a sua impressionante altura e apontou o imenso dedo ao menino. "Você é um fracote! E os fracos não têm o direito de escolha aqui! Se quiser ir, que vá com suas próprias pernas e morra escorchado pelo sol ou mastigado por um dragão! Não apoiaremos sua insanidade!"


"Agora, volte para o embornal de Svar! Levar-te-emos para casa!", ordenou Brunnhardt, seus olhos vermelhos brilhando ainda mais intensamente que o normal.


"Não! Vocês não entendem! Eu tenho que cumprir minha promessa!", o menino insistiu, quase chorando, e ergueu o punho direito, mostrando a fita branca que envolvia seu braço.


Svar, ali do alto, mal conseguia entender as palavras do menino, mas ver a fita o fez mudar de expressão. Pondo a mão no ombro de Brunnhardt para interromper um sermão que estava para começar, o gigante se abaixou novamente e perguntou, com a voz bem mais calma: "E que promessa é essa, José do Clã dos Calabros, pela qual está disposto a apostar sua vida?".


O menino limpou o rosto, removendo lágrimas que se formavam, e tentou erguer a voz, mas um choro nascente teimava em atrapalhá-lo: "Meu pai. Minha mãe. Minha terra natal... Os dragões de Vol'kor levaram tudo! Tudo! Eles estão lá, em algum lugar, escravizados ou mortos! Eu prometi que ia buscar todos..."


Zeca parou porque não conseguiu conter o choro, e o gigante e o anão ficaram em silêncio, dando a ele um instante para se recobrar.


O menino limpou o rosto e pigarreou. Ainda com a voz afetada, continuou: "Minha promessa... é ir a Vol'kor! Eu vou libertar cada escravo de lá. E vou fazer tudo pra que ninguém mais passe pelo mesmo sofrimento! Eu prometo!". E agarrou o próprio braço, envolvendo a fita.


"Menino...", disse Brunnhardt Moldaço, "tua vontade é férrea, mas ainda és fraco demais para cumprir tua promessa. De nada adiantaria ir a Vol'kor para morrer! Precisas tornar-te forte primeiro!"


"Vocês não vão me levar pra Vol'kor então?", Zeca perguntou com olhos lacrimosos.


Os dois enormes viajantes se entreolharam, expressões sérias. O anão parecia fazer uma pergunta silenciosa. Svar Quebra-Pedras respondeu com um simples aceno de cabeça.


Brunnhardt murmurou a Svar: "Muito bem, aceitaremos esse fardo! Um guerreiro luta com mais afinco quando há algo a proteger além da própria vida."


O gigante sorriu, voltando-se a Zeca: "Você virá conosco, com a condição de ficar escondido e não se expor ao perigo! Essa jornada será o início do seu aprendizado!".


"Tu és um menino, então ensinar-te-emos a ser um homem."


"Você é fraco, então lhe mostraremos força."


"Tu não sabes lutar, então aprenderás o que é ser um guerreiro."


"O destino manipula a todos nesse mundo, José do Clã dos Calabros, seja anão, gigante ou dragão. Mas você é humano! Vazio por dentro!"


"Tu és capaz de desafiar o destino!"



------------------------------------------



O presente...


Zé Calabros e Mara'iza seguiram mata adentro por horas. Os raios de luz que atravessavam a copa densa das árvores se tornavam cada vez mais fracos, anunciando que logo cairia a noite.


"Tem certeza de que estamos seguindo para o leste?", perguntou a moça.


"Tenho sim, Mala", respondeu Zé, "Estamos numa velha trilha de caçadores, rodeando a estrada. Não se avexe, que a gente chega no rio amanhã ou depois."


Durante a tarde, tinham feito duas paradas para Mara'iza descansar, mas ainda assim o fôlego dela estava no limite. "Que foi, princesa?", ele provocou ao notá-la cada vez mais exaurida. "Você não come e não sente calor, e aposto que não caga nem mija também, mas pelo visto se cansa como todo mundo. Devia ter trazido um cajado, pra modo de caminhar melhor."


"Sua rudeza é abjeta", ela retrucou, ruborizada diante do comentário grosseiro. "Sim, eu me canso ao andar tanto, mas um dia serei tão poderosa que nem precisarei caminhar!"


Calabros sorriu com certa satisfação ao vê-la em desvantagem. Se estivesse sozinho, ele cobriria muito mais chão por mais tempo, sem pausas. Mara'iza não era melhor do que ele em tudo, portanto, preferiu não insistir naquela discussão. "Logo vai escurecer. Acho que a gente pode descansar aqui por perto."


Ofegante, ela se sentou numa grande raiz exposta. "Concordo", disse, vasculhando a área ao redor.


"Melhor a gente deixar a trilha até o amanhecer", Zé murmurou, olhando para o sul.


Mara'iza se levantou num pulo, pedindo silêncio. "Shhh..."


"O que foi?", ele questionou, surpreso. Antes que terminasse a frase, contudo, a menina já tinha desaparecido.



------------------------------------------



Mara'iza vasculhava os arredores quando Zé murmurou para deixarem a trilha. Por um momento, ela notou algo se esgueirar nas proximidades e se ergueu num pulo, pedindo silêncio: "Shhh...". Ao mesmo tempo, conjurou um feitiço.


"O que...", Calabros começou a questionar, mas a frase não se concluiu. Naquele instante, os sons e movimentos da mata cessaram, o mundo se enevoou desbotado, e Zé ficou paralisado com cara de idiota, no meio da pergunta.


Mara'iza se deslocara para fora do tempo, um feitiço exaustivo que já usara no confronto em Curva do Vento pela manhã. Com o ambiente ao redor num estado imutável, ela correu na direção do vulto que vira logo antes. Precisava ser rápida, pois só teria uns dois ou três segundos relativos antes que se realinhasse ao fluxo natural do tempo.


Atrás das árvores, a magista encontrou dois homens escondidos. Sabendo que não poderia afetá-los até que o fluxo temporal se normalizasse, Mara'iza se posicionou atrás deles para surpreendê-los.


"...foi?", Zé Calabros concluiu o questionamento, e os sons e movimentos da mata também retornaram.



------------------------------------------



Os dois cangaceiros estavam seguindo Zé Calabros e Mara'iza cuidadosamente por toda a tarde, tendo despachado seu outro companheiro para avisar Mané do Cangaço. Viram satisfeitos quando seus alvos pararam para passar a noite, sabendo que Mané estaria a poucas horas de distância.


Mas então a moça desapareceu repentinamente. Os dois ainda se perguntavam aonde teria ido, quando foram surpreendidos pela voz dela, vinda de trás.


"Quem são vocês e o que fazem aqui?", ela questionou em voz alta e imponente, apontando a mão aberta.


Os dois viraram assustados, um deles gritando de susto. Imediatamente tentaram sacar armas, mas tamanha foi a surpresa que se atrapalharam.


"Quem. São. Vocês?", a moça perguntou de novo, pausadamente e em tom ameaçador.


Não responderam. Um deles conseguiu puxar a garrucha e tentou apontá-la, porém antes que qualquer outra coisa ocorresse, Zé Calabros flanqueou os cangaceiros, agarrando suas cabeças e batendo-as uma contra a outra. Os bandidos imediatamente tombaram inconscientes.


"Eita lasqueira! Agora fiquei atarantado!", disse Zé.


"Ei, seu ogro!", Mara'iza reclamou, "Eu queria saber quem eram esses dois!".


"Nem se preocupa, que são cangaceiros, dá pra ver pelas roupas e armas! Esses pestes tavam seguindo a gente, e se não nos emboscaram é porque esperavam o resto do bando!"


"A trilha não é segura, então", concluiu a moça.


"Não é mesmo! Bora embrenhar na mata por mais uma hora. Aí a gente descansa."


Assim fizeram, sem perceberem as marcas nas árvores, deixadas pelos cangaceiros para guiar o resto do bando.



------------------------------------------



A escuridão da noite tornava a caminhada mais difícil, e ao avançarem às cegas corriam o risco de se perderem na mata. "Você tem algum feitiço pra ver no escuro?", perguntou Zé.


"Não", Mara'iza respondeu. "Infelizmente não considerei essa possibilidade em meu aprendizado. Tenho alguns métodos de gerar luz, porém."


"Com esses cangaceiros desgracentos por aí, é melhor não. A gente vai ter que parar aqui mesmo, pelo visto."


"Tudo bem. Eu não tenho problema com o clima, mas e você?", ela indagou, "Sem uma fogueira, não vai sentir desconforto?"


"Preocupa não, que as noites aqui são quentes, e tô acostumado a dormir ao relento", ele disse, tocando a mão dela para trazê-la até uma árvore ali perto, sob a qual descansariam.


A reação dela foi recolher a mão, não gostando do contato.


"Calma, Mala, vem cá", ele insistiu, e ela permitiu-o conduzi-la. "No breu, ninguém vai notar a gente aqui entre essas raízes".


"Tem insetos aí?", ela perguntou e, notando que ele se sentou no chão, fez o mesmo logo ao lado.


Zé quase riu da pergunta, mas na penumbra Mara'iza não notou a graça na expressão dele. "Deve ter, mas carece de ter medo não! Nessa mata, tem coisas piores que formigas e centopeias: uns coelhos vorpais dos infernos, tremenduás e se brincar até algum boitatá... Mas isso tudo é bicho grande, se algum aparecer, a gente dá uns murros e pronto."


"Só não gosto da sensação quando insetos andam pela minha pele", Mara'iza informou.


Zé se aconchegou ali, encostando-se nas raízes para relaxar o corpo. Esticou as pernas e cruzou os braços, fechando os olhos e se concentrando apenas na audição. Os sons da mata eram intensos, com o canto de insetos e pássaros noturnos e o constante farfalhar das árvores.


Mara'iza, por sua vez, se encolheu em seu cantinho, abraçando as pernas. Se Calabros pudesse vê-la, talvez se surpreendesse com a fragilidade da menina, que ali na escuridão extravasava as inseguranças que normalmente esconderia sob a fachada de arrogância.


Sentindo o estômago reclamar, Zé puxou o embornal e o abriu, tateando seu interior. Tirou dali um pacote de couro oleado, abrindo-o cuidadosamente e roendo a carne seca ali contida. "Você devia comer um pouco", disse a ela.


Mara'iza recusou. "Não preciso, já disse."


"Não é questão de precisar. É pra você se sentir viva! Comer é viver, que coisa estranha da peste deve ser estar com bucho vazio e não ficar esfomeado! Não te parece que falta algo?"


"Se fosse algo saboroso, não recusaria", ela murmurou, "mas ração de viagem tem gosto horrível!"


"Isso é!", ele riu baixinho, "Aí te dou razão".


Ela sorriu, embora ninguém pudesse ver.


"Por que você tava no mar?", ele questionou.


Mara'iza ficou silenciosa por um instante. Memórias de um barco cruzando os mares. Homens de negro. Luta. O salto desesperado para as águas. "É uma história longa e complicada, não quero falar disso."


"Tá bem. Mas nunca vi ninguém sobreviver na tempestade! Todo mundo sempre disse que isso era impossível!"


"Eu usei magia", ela disse, lembrando-se do desespero em meio às ondas. "Criei um construto arcano pra flutuar... digo, uma plataforma de energia mágica, acho que assim você entenderá melhor. Normalmente uma conjuração dessas perdura uns cinco minutos. Foi um esforço tremendo mantê-la ativa por dois dias, nunca me exauri tanto! Achei que morreria no mar!"


"Então era essa coisa que você tava agarrando!", concluiu Calabros. "Por isso que não achei nada flutuante quando te peguei no mar!"


Imagens vieram à mente dela. Uma mão se estendendo para segurá-la. Consciência fraquejando, desfazendo o construto mágico. A luta contra as ondas para levá-la à praia. "Céus, é verdade! Foi você! Perdoe-me, eu não o agradeci adequadamente por salvar minha vida! Sinto muito! Muito obrigada! Muito obrigada mesmo!"


"Ora, que isso! Não há de quê!", ele sorriu. Ela parecia tão mais... dócil! Talvez fosse o cansaço que a deixasse menos arredia.


Ela estava realmente exaurida, mas aquele momento, apesar do local tão inadequado, era a primeira vez em muito tempo que ela tinha uma chance para baixar a guarda e relaxar. Sentia-se, de uma forma instintiva, protegida.


"Bom, posso te perguntar porque você está indo pra Dragona?", Calabros questionou.


Ela pensou um pouco. Pareceu que não responderia, mas suspirou e desabafou: "Comecei uma peregrinação mundo afora. Sou iniciada em duas linhas de magia: a Escola dos Mistérios e a Escola Quintessencial".


"Ah... entendi...", Zé falou, obviamente não entendendo nada.


Mara'iza riu baixinho. "Um adepto da Escola dos Mistérios é um abjurador, que manipula certas constantes universais: tempo, espaço, entropia. Já da Escola Quintessencial é um arcanista, que controla a energia básica da magia... Bom... É difícil de explicar porque é uma disciplina meio exótica, mas lembra-se daquelas setas luminosas que lancei mais cedo? Elas eram pura quintessência, força mágica."


"Certo... Agora sim eu acho que entendi. Mas, e a viagem?"


"Vou chegar lá, calma!", ela pediu, fazendo mais uma pausa para organizar os pensamentos. "Bom, essas duas escolas são os caminhos que conheço, mas existe um total de oito caminhos de magia. Meu objetivo é me tornar uma almaga".


"Que diabos é isso?"


"Um almagus é um conhecedor de todas as oito escolas arcanas. É algo muito difícil e raro, tanto que a maioria dos magistas acaba aprendendo só duas ou três disciplinas. Minha viagem é para visitar as academias arcanas mais renomadas e aprender as noções básicas de cada escola, para depois me desenvolver por conta própria."


"E tem uma academia dessas em Dragona?"


"Sim!", a moça explicou: "A capital, Ferônia, fica num nexo de forças chamado de Polo Elemental do Fogo. Ali, ergueram a academia mais famosa da Escola Elemental das Chamas, a próxima disciplina que quero aprender."


Zé Calabros a fitaria intrigado se pudesse ver algo mais do que sua silhueta nas trevas. "De buscar força eu entendo", ele murmurou, "mas porque você quer tanto poder assim? O que vai fazer com isso tudo depois?".


Ela se calou novamente. Pensou, e relutou um pouco em falar: "O que vou fazer depois? Nada, sei lá! Não faço ideia! Eu... É só um sonho bobo, talvez até impossível. O que importa mesmo é a jornada. Você não entenderia, mas...".


"Mas?", ele insistiu.


A voz dela foi ficando mais rouca e hesitante. Memórias novamente a assombravam, estas mais antigas e dolorosas: "Eu fiz uma promessa a uma pessoa... uma pessoa muito querida... Você não entenderia", e então provocou num tom tanto jocoso como triste, "seu ogro".


"Entendo sim, sua Mala. Entendo perfeitamente!", e naquele momento foi a mente dele que se encheu de lembranças.


Mara'iza continuou, sua voz cada vez mais melancólica e fraca. "Os almagi são mais lenda do que realidade. Como eu disse, meu objetivo talvez seja impossível."


E Zé Calabros retrucou: "Impossível? Ora, mas nada é impossível nesse mundo!".



------------------------------------------



Nove anos atrás...


O céu noturno do sertão estava límpido, revelando naquela noite sem lua uma multitude de estrelas. Svar tinha se deitado, e Zeca por sua vez deitara sobre o peito do gigante, ambos observando os astros brilhantes acima. Brunnhardt, porém, permanecera em pé. Era a primeira noite que o menino compartilhava com os dois sem precisar se esconder.


O menino perguntou: "Ei, Brunnhardt, de vez em quando eu olhava pra fora do embornal, mas você estava sempre em pé, vigilante! Você nunca dorme?".


"Durmo pouco, mas durmo sim, jovem!", Brunnhardt riu, "Anões dormem em pé!"


"Dormem em pé?", Zeca se surpreendeu, "Mas que coisa esquisita!"


"Anões são tão baixinhos que não caem quando dormem! Gahahahaha!", gargalhou Svar, fazendo seu peito trepidar tanto que para Zeca parecia um terremoto.


O anão, obviamente, se irritou. "Baixinho é teu passado, gigante maldito! E pare de rir, antes que o menino caia no chão! Lembre-se que esse ermo maldito é venenoso!"


Svar se conteve, levando gentilmente a mão ao peito para se certificar de que Zeca ainda estava lá. "Ah, verdade! Esqueci-me disso! Perdão, José do Clã Calabros!"


"É verdade!", confirmou Zeca, "Sempre ouvi que a Catinga Danada era venenosa mesmo! Até estranhei que vocês conseguissem andar por aqui sem problemas. Pensava que a terra aqui era toda esverdeada de tanto veneno!".


Brunnhardt explicou: "Nem sempre as coisas são tão óbvias, José Calabros. Sente o cheiro de podridão no vento? Esta terra exala um veneno sutil! Durante o dia nem se nota, porque o calor o leva aos céus. À noite, contudo, os gases se acumulam rentes ao solo".


"Quanto mais perto do chão, pior", avisou Svar. "Um humano sentado pode ficar tonto ou até não ter forças para se levantar. Deitar-se para dormir, então, é mortal! Somos grandes e resistentes demais para o veneno, mas você, tão pequenino, teve sorte de estar protegido longe do solo, no meu embornal!"


"Então é seguro durante o dia?"


"Mais seguro, sim, porque o veneno se eleva", o gigante respondeu. "Sabia que os dragões de Vol'kor só costumam atravessar a Catinga Danada à noite, porque o veneno nos céus os incomoda durante o dia?"


Zeca se lembrou daquele fatídico dia, alguns anos antes. Os dragões surgiram logo após o amanhecer, e se foram quando a noite se aproximava. "Nossa, como sabem disso tudo?"


Brunnhardt riu. "Informamo-nos antes e durante a viagem! Ora, não desbravaríamos às cegas uma terra mortal como esta!"


"E sabem muito sobre dragões?", o menino se encheu de curiosidade. "Eles são sempre maus como os de Vol'kor?"


"Sabemos um pouco", Svar murmurou. "Eles são muito diferentes entre si, depende do ambiente em que nascem! Dragões de montanhas gélidas são bem diferentes dos que vivem perto do mar, por exemplo. E mesmo numa mesma região, cada dragão é único!"


"A maioria dos dragões é selvagem, vivendo em pequenos bandos", continuou Brunnhardt, "Mas nem todos são hostis. Quando viemos para essa terra, por exemplo, passamos por um reino chamado Dragona. Sabia que dragões e homens convivem lá?"


"Uau!", Zeca exclamou. "E foi tão arretado ver vocês pelejando com o dragão hoje! Mas como que eu posso fazer coisa parecida? Vocês são tão imensos! Nunca vou ser igual!"


O gigante se ergueu para sentar-se, fazendo o menino cair, mas apanhando-o antes que se machucasse. "Gahahaha! Garoto, o que faz esse mundo girar, por bem ou mal, são homens fortes! Se perseverar, disposto a arriscar sua vida, e lutar contra o destino sem se desviar de suas ambições, você verá que pode fazer qualquer coisa!"


"Qualquer coisa?", o menino questionou.


"Ser tão forte quanto um gigante!", disse Svar.


"Ou tão resistente quanto um anão!", Brunnhardt afirmou, batendo o punho no peito.


"Isso é impossível!", o menino insistiu.


E então o anão o corrigiu: "Você está errado, José Calabros! Impossível é somente uma palavra!".



------------------------------------------



O presente...


No dia seguinte, Zé Calabros e Mara'iza levantaram cedo, tão logo os primeiros raios de sol penetraram a copa das árvores. Caminharam o dia todo sem conversar muito, exceto para trocar provocações, farpas e informações sobre a viagem, fazendo três paradas para comer e mais uma para repor a água dos odres.


Passaram por clareiras, breves descampados, uma plantação e alguns córregos. Teria sido um dia tranquilo, não fosse um pequeno bando de coelhos vorpais em algum momento da tarde. Alguns socos e disparos de força mágica depois, prosseguiram sem maiores problemas até o anoitecer, quando mais uma vez dormiram ao relento.


Novamente madrugaram ao raiar do segundo dia. A difícil caminhada pela mata começava a cobrar seu preço a Mara'iza, pouco acostumada a tamanho esforço. Suas pernas doíam e o fôlego já não era o mesmo.


Ainda assim prosseguiram, fazendo duas paradas pela manhã e mais uma no começo da tarde. Menos de uma hora após a última, a mata já começava a se tornar mais esparsa. Calabros imaginava que não demorariam a alcançar as plantações próximas ao Chico Propício, braço leste do Rio Seu Chico.


"Tudo bem com você?", Zé perguntou, preocupado com ela.


"Claro, tudo em ordem. Nada que eu não aguente", ela respondeu, parando para recuperar o fôlego. Apesar das declarações, estava no limite.


"Aguenta firme", ele insistiu, "Não deve demorar até sairmos da mata. O rio deve estar a uma hora ou menos de viagem."


Mara'iza se apoiou num tronco e perscrutou os arredores. "As árvores já estão bem mais espaçadas. Acho que posso criar algo para me carregar."


A menina segurou o grimório com uma mão e começou a gesticular com a outra. Sua concentração foi quebrada quando quatro homens vestindo uniformes marrons surgiram das árvores e da mata, de diferentes direções, apontando garruchas e revólveres. "Parados!", um deles ordenou.


Mara'iza, surpreendida e cansada, demorou um instante para raciocinar. Estava em desvantagem, então começou a conjurar um outro feitiço, algo que poderia inverter a situação. "Tremam, mortais, e..."


Zé Calabros segurou a mão dela, impedindo que finalizasse o feitiço. "Carece disso não, Mala, que com esses aí a gente não quer encrenca", informou-a.


"Quem são vocês?", um dos homens perguntou.


"Eu sou Zé Calabros, e essa aqui é a Malaísa. A gente não quer treta não. Tamos atravessando o Vale Verde pra evitar os cangaceiros."


"O nome é Mara'iza, seu ogro!", ela corrigiu, perguntando em seguida: "Quem são eles?"


"Pela cor do uniforme", Zé respondeu, "são da guarda de Santa Rita!"


"Não queremos aperrear, mas as ordens são pra não deixar ninguém passar sem permissão!", disse o líder dos soldados. "Se falaram a verdade, entreguem suas armas e venham conosco."


"E pra onde e pra modo de que vocês querem levar a gente?"


"Pro Coronel Garrancho!", o soldado respondeu. "Se querem passar por aqui, é pra ele que precisam pedir licença!"



A seguir: Não pensa nem hesita, só age

Índice de Capítulos

Livro Atual
Zé Calabros na Terra dos Cornos
Categorias
RSS Feed
Posts Recentes
Procure por Tags
Procure por Mês
  • Facebook Black Round
  • Twitter Black Round

As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira