Prévia: Capítulo 5



Nossa história continua a avançar, e você provavelmente está ansioso, então eis aí as TRÊS primeiras cenas do Capítulo 5: Não pensa nem hesita, só age!


E este, meus amigos, não é um capítulo qualquer! Aqui chegamos ao clímax do primeiro ato de nosso livro! Capturados pelo Coronel Garrancho, perseguidos por Mané do Cangaço, Zé e Mara se veem no meio de uma batalha entre jagunços e cangaceiros. Prepare-se para uma trama explosiva!


O capítulo será lançado na semana que vem, dia 10 de fevereiro!

Avaliando as pegadas e folhas amassadas, o capanga Sabujo avisou: "Olha isso, Mané! Passou gente por aqui!".


Mané do Cangaço, aproximando-se, questionou: "Achou o Calabros lazarento e a menina?".


"Não, Mané! São uns cinco cabras de bota", respondeu Sabujo, apontando a direção que os rastros seguiam. "Não é só nosso bando que tá perambulando aqui nas redondezas!"


Mané deslizou os dedos sobre a barbicha pontiaguda, seus olhos atentos vasculhando os arredores. "Isso não tá me cheirando bem, não! Bota do Judas tá pra lá", disse, indicando o nordeste, mesma direção dos rastros.


"Não podem ser compadres nossos, a serviço de Severino?"


"Não, Sabujo! Isso aí é gente querendo atrapalhar! Olhos abertos e orelhas em pé, que deve ter jagunço escondido por aí!", Mané concluiu, então ordenando a outro capanga que os acompanhava: "Reúne os outros aqui, que eu mais Sabujo vamos averiguar que cargas d'água tá acontecendo".



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Zé Calabros e Mara'iza, ambos com as mãos amarradas à frente do corpo, foram conduzidos pelos soldados a um acampamento oculto na floresta. As árvores da área tinham sido cortadas e seus troncos usados para improvisar parapeitos para os sentinelas no perímetro. Dezenas de guardas armados se encontravam ali, ocupados em atividades diversas, e o número de tendas indicava que talvez houvesse ainda mais nas redondezas.


A escolta acompanhou Zé e Mara até uma tenda central maior e defendida por jagunços, melhor armados e sem uniformes. "Quem são esses aí?", um jagunço barbudo de espingarda em mãos inquiriu.


O líder da escolta, mostrando a adaga ornada de Mara'iza, respondeu: "Achamos esses dois zanzando pela mata. Falam que são viajantes, e a única arma que tinham era essa faca aqui. Eles querem permissão do coronel pra seguir viagem". O guarda também tinha em mãos o embornal de Zé, a bolsa de Mara'iza e o grimório.


"Eu vou falar com o coronel", informou o jagunço, entrando na tenda.


Mara'iza estava insatisfeita, e sua face não escondia a irritação. "Por que deixou os guardas nos pegarem?", ela sussurrou a Zé, "Eles só vão nos atrasar!".


"Não se avexa, Mala, que é burrice comprar briga sem motivo. A gente fala com o coronel, e ele nos libera ligeiro."


"E se ele recusar?", ela perguntou.


"Daí a gente vai sem permissão mesmo."


O barbudo logo voltou. "Deixa eles comigo", avisou ao chefe da escolta, "que o coronel quer ouvir a história deles."


Os guardas logo se afastaram, levando os pertences confiscados dos dois. "Ei, espera! Devolva o que é nosso!", Mara'iza tentou impedi-los, mas foi segurada pelo jagunço, que a puxou com força.


"A gente devolve as coisas quando o coronel liberar vocês!", o barbudo avisou, num tom ameaçador. "Agora entra, que o homem tá esperando!"


Zé Calabros entrou na tenda, seguido pela relutante e contrariada Mara'iza. Ali dentro estavam três homens sentados no chão, ao redor de um mapa da região. O primeiro, de uniforme e com chifres em seu quepe, só podia ser o comandante da guarda. O segundo, de aspecto mais rústico, provavelmente era o chefe dos jagunços. O terceiro, usando o típico chapéu de vaqueiro adornado com grandes chifres, era obviamente o coronel, um homem negro e baixo, barrigudo, de bigode e cabelos longos e crespos.


"Eu sou o Coronel Samuel Garrancho, de Santa Rita", ele se apresentou, levantando-se para receber Zé e Mara. "Disseram-me que são viajantes, então pergunto e espero que me respondam com sinceridade: quem são vocês?"


Os outros dois homens contornaram os presentes para guardar a entrada da tenda. Mara'iza fitou Zé com claro desconforto.


Calabros se manteve calmo, porém. "Meu nome é Zé Calabros, e estou levando a Malaísa aqui pra Dragona".


Ela suspirou, levando as mãos, mesmo amarradas, à face. "Seu idiota, quando você vai aprender? Meu nome é Mara'iza", corrigiu, "Atsumi Mara'iza!"


"Ela é braba assim mesmo, coronel, liga não.", Zé observou.


Coronel Garrancho quase riu, mas conteve-se em um sorrisinho. Voltando-se a ela, curvou-se respeitosamente. "É um prazer, Senhorita Mara'iza! Você me lembra minha esposa, também vinda de terras estrangeiras, e tão espirituosa e bela quanto a senhorita."


"É um prazer, Coronel Garrancho", ela respondeu, sua expressão irritada traindo a gentileza das palavras. "Mas eu me sentiria melhor em conhecê-lo sem as mãos amarradas."


"Sinto muito pelas amarras e o confisco de seus bens, mas estes são tempos perigosos, e muitas vidas estão em jogo", disse o coronel. "Até que eu me certifique de suas intenções aqui, não posso arriscar nossa segurança. Os cangaceiros não podem saber de nossa presença!"


"Pode ficar tranquilo que a gente não tá com aqueles desgracentos, não!", informou Calabros.


Garrancho fitou Zé com desconfiança, avaliando sua postura, expressão e voz. "E vocês sabem que, pra chegar em Dragona, terão que passar por São Vatapá do Norte, certo? A cidade já caiu pros cangaceiros. É possível que o Coronel Silvério já esteja morto."



Embora não gostasse do Coronel Silvério, Calabros ficou desconfortável ao ouvir sobre sua possível morte. "A gente dá um jeito. Primeiro temos que chegar lá, depois a gente pensa no que fazer".


"Ouvi histórias da sua valentia, Zé Calabros", disse Coronel Garrancho, ainda desconfiado. "Você é o filho do Coronel Calabros, de Itapopó da Mata, certo?"


"Sou eu mesmo sim, senhor!"


"E não está aqui atrás do que é seu por direito?"


"Sei nem do que você tá falando, coronel, e nem fazia ideia de que você estava por estas bandas! Tudo o que quero é levar essa maluca pra Dragona!"


"É, temos pressa! Não vamos atrapalha-lo nem denunciá-lo a ninguém!", frisou Mara'iza, erguendo os braços para exibir as amarras. "Pode, por obséquio, nos soltar e devolver nossas coisas?"


"Ainda não, senhorita, porque talvez tenhamos uma querela a resolver primeiro", disse o coronel, então voltando sua atenção a Zé. "Veja bem, Sr. Calabros, imaginei que você me procuraria algum dia. Afinal, eu tenho governado Itapopó da Mata e as terras de sua família pelos últimos nove anos."


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Esgueirando-se nas proximidades do acampamento, Sabujo avisou: "São da guarda de Santa Rita! Só pode ser coisa do Coronel Garrancho!".


Mané do Cangaço, sentado junto a uma árvore, já foi sacando o revólver. "Ora, mas isso é bom demais da conta!"


"Como que isso é bom, Mané?", o subalterno questionou, "Tamos bem perto de Bota do Judas, e Severino ainda tá lutando pela cidade! Se o Garrancho atacar de surpresa, pode ferrar com tudo e salvar a pele do Coronel Meneses!".


"Por isso mesmo, seu abestalhado!", Mané abriu a arma, rindo, depois girou o tambor. "A gente vai pegar o Garrancho antes dele atrapalhar Severino!"


"Mané, tem uns setenta ou mais homens aí, e com vantagem de terreno! Mesmo que a gente junte o bando todo que tá pelo mato, vai dar o quê? Trinta cabras?"


Mané esbravejou: "Pra isso a gente faz distração, seu cagão! A força maior ataca por um lado e atrai o fogo deles, daí o grupo menor vem da outra direção! A gente não precisa matar todos, basta passar fogo no coronel!".


"Então, qual vai ser o plano, Mané?"


"Faz o seguinte: volta pro bando, avisa pra ficarem preparados. Eu vou rodear o acampamento e atacar pela outra ponta. Quando começarem os tiros, cês se apressam e invadem pelo lado de cá. Já pode cair matando, que eles vão tá concentrados em mim!"


"Mas você vai atacar sozinho, Mané?", Sabujo questionou. "Não é a força maior que chama a atenção?"


"Pois então, seu imbecil!", Mané retrucou, "Quem cê acha que é a força maior? Cês tudo junto não dão um d'eu!".


Sabujo preferiu não contrariar o chefe. "Sim, senhor!", respondeu, correndo de volta ao ponto de encontro do bando.


Mané, já sozinho, se voltou para o acampamento. Notando que o tambor do revólver já parara de girar, contou as balas e fechou a arma. "Severino queria derrubar Garrancho por último, mas Padim mandou esse traidor desgramado direto pras minhas mãos! Ninguém passa a perna em Severino, Garrancho! Hoje o tambor vai tocar a marcha do teu funeral!"

Livro Atual
Zé Calabros na Terra dos Cornos
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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira