Prévia: Capítulo 13


Bem-vindos a mais uma sexta-feira! E, como de costume, se não tem capítulo, tem Prévia do próximo! E na semana que vem teremos o Capítulo 13: Vulnerável, nunca.


E este é o capítulo de ação mais eletrizante até aqui! Zé e Mara na mata, cansados após um dia de viagem, e prestes a serem emboscados por cangaceiros!


Pior do que os bandidos, contudo, são os que os lideram: Velho Tição e Petrúquio Fragoso. Mandinga e magia. Feras mágicas e construtos arcanos. Balas e facões. Os perigos serão inúmeros, e nem Zé, nem Mara, sairão ilesos desse confronto! O Capítulo 13 estará disponível no dia 02/06.

A pequena tropa de bandidos seguiu pela mata escura. Dois deles carregavam lampiões que, mesmo cobertos, denunciavam sua presença. O monstro de pedra que os acompanhava fazia muito barulho com seus passos pesados e desajeitados.


"Aqui tá bom!", alertou o Velho Tição, fazendo sinal para que o grupo parasse. Se avançassem mais denunciariam sua presença.


"Em que direção os dois estão?", perguntou Petrúquio Fragoso.


O mandingueiro se concentrou por um momento, e pouco após um morcego apareceu, voando em círculos ao redor do velho. Tição se regozijou ao relatar a visão que o animal lhe trouxera. "Os dois já caíro no sono! He he he he he!", disse, então apontou, "Estão pra lá!".


Petrúquio ainda se recuperava do esforço de evocar a criatura de pedra. Apoiou-se numa árvore e respirou fundo. "Assim que a cobra atacar, então, avançamos com tudo o que temos?"


"É", respondeu Tição, que então acariciou o réptil enrolado ao seu corpo. "Vai lá, Sônia Regina, vai fazê seu lanchinho!"


A cobra se soltou do velho mandingueiro e deslizou para a mata. Com uns quinze metros de comprimento, demorou a desaparecer completamente na escuridão.



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Mara'iza dormia profundamente. Sentindo o sono se aproximar, Zé fechou os olhos e ficou a ouvir a mata. O vento soprava entre os galhos, as folhas farfalhavam gentilmente, água corria nas proximidades, grilos cricrilavam...


Os sons da noite não eram estranhos a Zé Calabros. Em suas andanças pela Cornália, dormira muitas vezes ao relento. Chegou até a passar um ano inteiro no Vale Verde, sobrevivendo por conta própria. Nos limites da consciência, percebeu: naquela noite, algo estava errado.


Com os ouvidos bem atentos, Zé reparou no bater de asas de um morcego. Já era no mínimo a terceira vez que o bicho aparecia, voava em círculos e ia embora. Não era um comportamento natural. Parecia coisa de mandinga.



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Sônia Regina rastejou pela mata, língua bífida farejando o caminho. Quando viu o calor das presas, a cobra desacelerou e continuou avançando lenta e silenciosamente. Eram dois alvos, e nenhum esboçava movimento ou reação. Estavam vulneráveis e insuspeitos.


A cobra se aproximou da presa menor, então recolheu parte do longo corpo, curvando-o e dobrando-o como uma mola. Pronta para o bote, ergueu o pescoço, abriu a boca e se lançou subitamente à frente.



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Zé estava quieto, mas acordado. Com os olhos entreabertos, perscrutava a escuridão por sinais do perigo que instintivamente sentia. Notou os olhos amarelos e a silhueta rastejante da cobra e, com movimentos tão lentos e sutis quanto os da própria fera, se preparou para um levantar súbito.


A cobra se aproximou de Mara'iza e preparou cuidadosamente o bote. Então, se lançou sobre a magista inconsciente.


Num salto repentino, Zé Calabros golpeou a cabeça da criatura, interceptando e desviando o bote. "Mara'iza!", gritou para despertá-la.


Mara despertou assustada e, instintivamente, agarrou o grimório e ergueu a mão livre em defesa, mas levou alguns instantes para entender a situação.


A cobra se lançou sobre Zé Calabros, mas ele se esquivou do bote e socou com ainda mais força a cabeça do monstro, causando um impacto audível.


Sentindo-se ameaçado, o réptil recuou e se recolheu defensivamente, enrolando parte do corpo, mas deixando cabeça e cauda expostas. Em seguida, a partir da boca, chamas se espalharam por todo o corpo do monstro, criando um clarão ofuscante.


Levantando-se, Mara'iza se protegeu atrás da árvore que até então usava como descanso. "Carábu'ros-san!", gritou, ainda confusa, "Estamos sendo emboscados?".


Concentrado no oponente, Zé não respondeu. Levou o braço esquerdo à frente do rosto, protegendo os olhos, e recuou alguns passos, mantendo o punho direito fechado, pronto para um contra-ataque.



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Gritos, seguidos por um clarão distante. "Começou", observou Petrúquio Fragoso, então se voltando ao bando. "Avancem, homens!".


O construto elemental de Fragoso abriu caminho, se arremetendo violentamente em passadas largas, potentes e ruidosas. Os cangaceiros avançaram em seguida, os dois com lampiões iam à frente para guiar os outros seis capangas. Petrúquio Fragoso tomou a retaguarda do grupo.


Velho Tição ficou para trás. Calmamente, tragou o cachimbo, então se pôs a caminhar sem pressa, ajudado pelo cajado. "He he he he he! A essa hora, um daqueles dois já deve de tá morto!"



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A cobra incandescente avançou sobre Calabros numa sequência de botes. Uma, duas, três vezes, Zé habilmente se esquivava dos ataques, recuando, saltando, rolando e usando as árvores para dificultar as investidas. O monstro deixava rastros de fogo por onde passava, e as chamas começavam a se espalhar.


Deixada para trás, Mara'iza decidiu ajudar o amigo. Num gesto rápido, disparou uma seta cintilante, que explodiu contra o pescoço da criatura reptiliana. A fera, porém, permaneceu inabalada e, ignorando a magista, continuou a focar-se em Zé.


Zé evitou um golpe de cauda da cobra e, percebendo-a tentar cercá-lo com o corpo alongado, recuou a uma distância segura. "Não vou ficar só fugindo, bicho cabrunquento!", disse, encarando-a, "Queimo as mãos, mas dou-lhe uma surra!".


Encarada por um oponente que ameaçava reagir, a cobra interrompeu os avanços constantes. Confrontando-se, os dois oponentes passaram a fazer movimentos lentos, cada um buscando uma posição vantajosa para atacar.


A distância, Mara'iza aguardava o momento certo para ajudar Zé. Foi então que percebeu o ruído de algo enorme e pesado vindo pela mata. Ela se virou para o barulho e se pôs atrás de uma árvore, tentando identificar a nova ameaça.


Da escuridão, surgiu correndo uma enorme criatura de pedra, vagamente humanóide. Sem perceber Mara'iza, o monstro elemental avançou diretamente contra Zé Calabros.


"Carábu'ros-san", Mara'iza tentou alertá-lo, "cuidado!".


A criatura rochosa bateu o corpo contra Zé, que mal teve tempo de se preparar para o encontrão. O impacto arremessou Calabros contra uma árvore, e o monstro, inexorável, investiu de novo, desta vez golpeando com um soco. Mesmo aturdido, Zé se esquivou, e o enorme punho maciço atingiu o caule da planta, quase partindo-o ao meio.


Aproveitando a distração, o boitatá desferiu seu bote. Ao mesmo tempo, o construto golpeou de novo. Cercado, Zé Calabros rolou para longe, inadvertidamente fazendo o punho de pedra atingir a cabeça do réptil.


Erguendo-se, Zé recuou, mantendo a dupla de inimigos à frente. "Eita lasqueira", resmungou, tomando ar, "agora danou-se!". Dar as costas a qualquer um dos monstros seria fatal.


Ignorada por todos, Mara'iza formulava um plano. "Aquilo é um construto mágico, obra de um magista", resmungou. Percebeu então luzes e vozes na mata, aproximando-se pela mesma direção da qual o construto viera. Provavelmente eram cangaceiros, e o criador do monstro estaria entre eles.


Livro Atual
Zé Calabros na Terra dos Cornos
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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira