Prévia: Capítulo 15


Depois dos eventos do recentes de nossa história, você deve estar ansioso pelo próximo capítulo. Como a semana ainda vai demorar a passar, eis a prévia do Capítulo 15: Vai te custar a fuça!


E temos em mãos mais um capítulo cheio de ação! Os cangaceiros podem ter sofrido baixas, mas a luta em Beira da Larica está longe de terminar. Mara'iza sem poderes, Zé Calabros ferido, mas mesmo assim terão de confrontar a milícia fanática do Frei Militão. E, como se não bastasse, ainda há cangaceiros à solta... e o terrível Velho Tição espreita nas sombras.


O Capítulo 15 estará disponível na próxima sexta-feira, 30/06/17.

O Velho Tição entrou repentinamente no quarto. "Acorda, bando de estrupício!", gritou para os três cangaceiros curados por Militão na noite anterior. "Cês tiveram uma segunda chance de vida, não é todo mundo que tem essa sorte. Tá na hora d'ocês pegá suas arma, que a coisa vai ficá feia logo, logo."


Assustados e desorientados, os bandidos se levantaram de imediato, mas levaram algum tempo para começar a se vestir e se armar. "Velho Tição, o que tá acontecendo?"


"O imprestável do Militão resolveu fazê as coisa da pior maneira", o mandingueiro respondeu. "Ele qué fazê o teatrinho dele pro povo abestado, mas o escarcéu vai atiçá o Zé Calabros. Cês se prepare, que a gente vai tê que matá o cabra hoje."


"Dá licença, Velho Tição", um dos homens tomou coragem. "Mas ontem, mesmo com a cobra e o Fragoso, a gente não conseguiu dar conta nem da feiticeira."


"Suncê larga de frescura, mizifio! Zé Calabros tá ferido, a feiticeira tá sem magia, e os hôme do Militão vão cansá eles primeiro. Ou a gente mata eles hoje, ou não mata nunca mais!"



------------------------------------------



A manhã começara agitada em Beira da Larica. Milicianos percorriam as vielas convocando todos, dos trabalhadores da lavoura às donas de casa atarefadas, a se apresentarem na trilha da casa-grande, onde as reuniões e anúncios importantes eram tradicionalmente feitos desde os tempos do Coronel Bocarra.


No limiar da vila, com a colina da casa-grande ao fundo, o Frei Militão altivamente aguardava o povo se reunir. Quatro homens armados o protegiam e, diante dele, estava Odorico Crinalba, ajoelhado e com as mãos amarradas às costas. Daquele ponto, era possível ver boa parte da vila.


"Todos estão vindo, Odorico", disse o Frei Militão. "Logo, você poderá confessar seus pecados e será julgado de acordo."


Os primeiros cidadãos a chegarem estranhavam a presença de Odorico. "Por que ele tá ali?", se perguntavam em cochichos, e os boatos e teorias se espalhavam. "O desgramado nunca me enganou, ele era chegado ao Coronel Bocarra!", "Aposto que roubou comida!", "Não foi o filho dele que espalhou maldades sobre o frade?".


Foi naquele momento que tiros distantes foram ouvidos. Vinham da casa dos Crinalba, nos limites da vila com a mata, e alguns cidadãos reconheceram sua origem e ficaram alvoroçados.


Frei Militão pediu calma. "Não tenha medo, meu povo! Vocês estão seguros aqui, logo tudo será explicado."


Ao mesmo tempo, nas ruelas, os milicianos corriam na direção dos disparos, mas gritavam aos cidadãos no caminho, insistindo que seguissem para a reunião.



------------------------------------------



"Meus filhos!", Dona Santinha gritou ao ouvir os tiros e deduziu que foram disparados em sua casa. "Alguém acuda meus filhos, pelo amor de Padim!", implorava, tentando se desvencilhar dos quatro milicianos que a levavam, mas eles impediram-na de fugir.



------------------------------------------


Na casa dos Crinalba, os seis invasores já estavam aos pés de Zé Calabros, devidamente surrados e fora de combate.


Ofegante, Zé ajudou o menino Juninho a se levantar. "Malinha, cuida das crianças, eu vou lá fora distribuir porrada".


"Para o inferno com suas ordens", ela retrucou, "não vou deixar você sozinho, ogro estúpido!"


"Não quero você machucada", ele disse. "Você tá sem seu livro."


"Ainda assim, posso ajudar", ela insistiu preocupada, esquecendo a arrogância típica. "Prometo que não serei um estorvo."


"Está bem, Malinha, mas toma cuidado", Zé consentiu, fechando os olhos e respirando fundo. Depois, abaixou-se um pouco para fitar Juninho nos olhos. "Menino, sabe de algum lugar pra se esconder? E que seus pais conheçam?"


"Na mata, tem uma bica d'água no córrego, onde a gente ia brincar quando eu era pequeno", respondeu.


"Então, assim que eu e a Malinha abrirmos o caminho, pega suas irmãs e se esconde lá por perto", Zé pediu.


"Ano passado, eles mataram meu irmão", Juninho disse com medo estampado na face. "Meus pais vão morrer?"


"Não, eu não vou deixar", Zé respondeu, depois pegou um facão dos malfeitores e deu ao menino. "Você é o homem dessa casa agora. Protege sua família até eu trazer seus pais de volta."


Sentindo o peso da responsabilidade, Juninho conteve o medo, reuniu as irmãs e o bebê e aguardou o momento para correrem para a mata.


"Tá pronta, Malinha?", Zé estalou os punhos e agarrou um corpo no chão para usar de escudo.


"É claro que estou pronta, ogro", ela mentiu. Na verdade, estava apavorada, mas escondia muito bem. "Abra o caminho, que vou logo atrás."



------------------------------------------



Três milicianos já se posicionavam do lado de fora, à espera de reforços, quando Zé Calabros saiu. Dispararam as garruchas e bacamarte, mas as balas atingiram apenas o cadáver-escudo. Antes que pudessem recarregar, Zé lançou o corpo sobre um deles e se jogou sobre os outros dois.


Um outro miliciano se aproximava correndo e, vendo a briga, se preparou para atirar. Mara'iza pegou o chapéu de palha, jogou-o na direção do recém-chegado, guiando magicamente a trajetória. O chapéu voou direto para o rosto do miliciano, pressionando-se contra a face dele e cegando-o tempo suficiente para Zé pegar uma garrucha e arremessá-la contra a cabeça do malfeitor, nocauteando-o.


"Para onde?", Mara'iza questionou, fazendo o chapéu saltar de volta para sua cabeça.


Zé derrubou o último deles, então respondeu. "Pro lugar de onde os bandidos estão vindo."


Livro Atual
Zé Calabros na Terra dos Cornos
Categorias
RSS Feed
Posts Recentes
Procure por Tags
Procure por Mês
  • Facebook Black Round
  • Twitter Black Round

As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira