• Tiago Moreira

Pedragreste, o ermo oriental


Pedragreste, o ermo oriental da Cornália

Numa era muito distante, quando os refugiados fugitivos do rei-destino concluíram sua árdua jornada pelas montanhas, o primeiro vislumbre da nova terra os abateu.

Das alturas da cordilheira, eles olharam para o oeste e viram apenas uma terra seca e rochosa, açoitada pelo sol inclemente. Deram a essa região um nome muito apropriado: Pedragreste.

Diante daquela paisagem, muitos perderam as esperanças. Alguns, amotinando-se, decidiram voltar e morar nas montanhas.

A maioria, contudo, se manteve fiel ao Coronel Vatapá, o homem que prometera-lhes salvação. Onde as montanhas se encontravam com o oceano, encontraram córregos nascendo das rochas e ali decidiram se assentar.

A colonização teve seus perigos. Tribos de nativos de pele negra, chamados cafuzos, lutaram contra os invasores, mas eventualmente foram derrotadas. A primeira vila foi batizada em homenagem ao grande herói do povo, alçado à condição de "santo".

Porém, conforme mais refugiados chegavam, a comunidade precisou se expandir. Alguns, temerosos de se afastarem das montanhas, foram para o sul, mas encontraram apenas a vastidão maldita da Catinga Danada. Outros, desbravadores corajosos, buscaram rotas para o oeste, através do ermo mordaz.

Muitos morreram na empreitada, desaparecendo nas vastidões áridas de Pedragreste. Eventualmente, contudo, a descoberta de poços artesianos permitiu que uma rota se formasse até o grande Rio Catengão.

Apesar de suas águas venenosas, o Catengão permitiu a multiplicação de assentamentos. Aventureiros se espalhariam por toda a região, enfrentando monstros terríveis e as tribos ferozes de cafuzos. Os grandes heróis dessa época, em homenagem a São Vatapá, viriam a ser chamados "coronéis".

Assim se iniciou a história da Cornália.

Este artigo faz parte do Compêndio da Terra dos Cornos.

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