• Tiago Moreira

A mão invisível do destino

Este artigo é parte da série: O poder do mito

 
"A esperança é como o céu", dizem alguns...

Anima é um mundo de muitas religiões. Embora várias formas de monoteísmo sejam prevalentes, não são raros os que seguem mais de uma fé e adoram a vários deuses. Cada região ou nação tem seus credos dominantes, mas há um em particular comum a todos os povos: a crença no destino.

Inescapável, inexorável, irrefreável, o destino determina os caminhos e as oportunidades para cada homem ou mulher desse mundo. Temido igualmente por camponeses, comerciantes, generais e reis, cada cultura o vê de uma forma diferente, mas ele está sempre presente, sua lâmina invisível pairando sobre nossas cabeças. Para os kalimnorianos, o destino é uma força natural, um ímpeto originário do mundo, sobrepondo-se a todas as leis da natureza ou dos homens.


Para os povos imortais de Garganth e Ingeborg, é uma entidade incompreensível, que governa acima até mesmo de seu panteão de deuses.


Os gazzirianos chamam-no de "ordem celestial". Contemplam-no para decifrá-lo, moldando sua sociedade de acordo com essa compreensão.


Já os bárbaros banu'lifênios o consideram o único e verdadeiro deus. Pela sua vontade, acreditam que o mundo deve ser conquistado e moldado. Só assim o destino se manifestará novamente em forma humana e dará início a uma nova era dourada.


Mais estranha ainda é crença dos misks do distante sul, que dizem que o destino, um dia manifesto e corrompido pela forma humana, só será restaurado a seu estado benévolo original através da expiação dos pecados humanos.


Os beduínos ismaelitas, por sua vez, trazem consigo uma crença peculiar. Para eles, não há um, mas dois destinos: sina e fortuna, o primeiro persistente e traiçoeiro, o segundo conquistável, mas inconstante.


Independente da forma, contudo, todos sabem que estão submissos a essa força superior. O destino os vigia, dizem, é sempre bom estar em suas graças. Nunca se deve fazê-lo seu inimigo.


Mas algo mais se conta mundo afora, geralmente em sussurros, quase uma blasfêmia.


Há homens e mulheres, dizem por aí, que, através de força e determinação, rompem as amarras do destino. Esses poucos valentes, às vezes chamados de demônios, outras de heróis, erguem seus punhos aos céus e bradam seu desafio. E o destino, caprichoso vingativo e ubíquo, se põe a testá-los pelo resto de suas vidas.


Essas pessoas indomáveis são capazes de fazer o impossível.


São suas mãos que fazem o mundo girar.

 

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