O fim da sabedoria


O rei-destino tinha razão em temer a insurreição de seus súditos imortais. A queda dos Pilares finalmente unificou os oráculos, guardiões de vastos segredos de magia.


A despeito de seus grandes poderes, os oráculos sempre tiveram um papel passivo diante do passar das eras. Sua missão era observar o império e aconselhar seu rei, e a praxe ditava que a ação de um oráculo poderia ser desfeita ou oposta por outro, de forma que apenas o consenso lhes permitia agir livremente.


Tal consenso demorara a ser alcançado. Os primeiros a falar contra o rei foram os oráculos do fogo e dos ventos, Biorcus Kaen'Sunth e Aura Dos'Kaer. Com muita relutância, os outros um a um cederam, mas quando o último deles finalmente concordou com a traição, o mundo já estava reduzido a ruínas.


O golpe se deu no castelo do rei-destino, bem no centro da destroçada capital do império. A tentativa inicial de assassinato fracassou, dando início a uma batalha cataclísmica. Poderes além da compreensão se chocaram naquele dia: os céus choraram fogo, a terra irrompeu em vulcões, tornados varreram os campos.


É dito que o primeiro a tombar foi Loramus Ven'gar, oráculo dos mistérios. Ainda assim, os oráculos tinham a certeza de que mesmo o imenso poder do rei-destino não seria páreo para a força combinada deles. Cedo ou tarde, não importava quantos mais caíssem, o monarca seria derrotado.


Foi quando o rei-destino revelou seus novos servos. Cheios de fúria, os quatro dragões primordiais emergiram das profundezas sob o castelo e se lançaram sobre os traidores. Aura Dos'Kaer foi abocanhada antes que pudesse reagir à aparição dos monstros, e os demais sábios logo descobriram que as criaturas reptilianas foram moldadas para combatê-los.

Por horas, a contenda titânica prosseguiu. Mesmo a morte de um dragão não foi suficiente para mudar os rumos da batalha. Os oráculos foram destruídos, exceto por um. Biorcus Kaen'Sunth, diante da derrota iminente, fugiu e se escondeu desesperançado.


Ao fim do conflito, o rei-destino, ferido e humilhado, fora triunfante. Como lembrança daquele dia apocalíptico, uma cicatriz permanece até os dias de hoje, um rasgo quilométrico no meio do continente.

Os anos seguintes foram ainda mais negros. O rei-destino se pôs a gerar mais dragões, enviando-os com seus exércitos para completar seu grande desígnio. Pensava-se absoluto, invencível. Julgava que ninguém mais se oporia à sua vontade.


Ele estava errado.


O mundo fora lançado ao desespero, mas grandes dificuldades forjam grandes homens. E, em diferentes partes do continente, uns poucos valentes se ergueriam para lutar.


Mas eis que, em meio ao desespero, Uns poucos heróis se ergueram. Desafiando o destino, confrontaram o rei E, contra o impossível, prevaleceram.

A seguir: A significância da coragem

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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira