A natureza da imortalidade



Imortal.


Para alguns, somente uma palavra. Crendice, dizem. Lendas. Exageros.


Para outros, algo digno de reverência ou terror. Estes sabem: seres de vida longeva e grande poder caminham entre nós.


A palavra "imortal", contudo, é uma imprecisão. Não há imorredouros, ninguém está além do alcance da morte. Imortais existem em oposição aos "mortais", as pessoas comuns: frágeis, fracas, tolas, de vidas breves e sem propósito.


Os imortais existem com um propósito que nem sempre é conhecido. Eles detém grande poder, seja físico, mágico ou espiritual, assim como uma grande maldição: seu destino está selado, seu arbítrio é limitado. Precisam cumprir a função que lhes foi reservada, e o destino raramente é gentil.


Os imortais mais poderosos são sem dúvida os oráculos e, abaixo destes, os Pilares do Mundo. A queda do rei-destino, milênios no passado, destruiu os imortais daquela época, mas não extinguiu suas funções. Ainda hoje, há quem que herde tal poder.


Mestres da magia e guardiões de segredos, os oráculos viajam o mundo para observar, ensinar e aprender. Raramente interferem, contudo: ainda sob as antigas leis do rei-destino, um oráculo pode confrontar o outro, somente o consenso permite-lhes agir sem represálias. Seis oráculos existem a cada momento, cada um dominante sobre um conjunto de forças: Água, Ar, Fogo, Terra, Mistérios e Mente.


Os quatro guerreiros imortais, ou Pilares do Mundo, eram os guardiões do antigo império. No longo ciclo dos séculos, tornaram-se protetores e destruidores dos mortais. Somente o consenso permite-lhes agir, mas os Pilares, ao contrário dos oráculos, não temem o confronto. O consenso, muitas vezes, só é obtido pela batalha, seja direta ou por intermediários mortais.


Há também os "Tocados pelo Destino". Estes são mais difíceis de se definir. Eles já foram mortais, mas abandonaram sua mortalidade. Alguns invadiram locais proibidos; outros se apossaram de objetos amaldiçoados; muitos simplesmente ousaram vender suas almas ao destino. Obtém grande poder, mas se tornam pesadelos.


Os imortais mais numerosos são, sem dúvida, os dragões. Com o passar das eras, esses monstros titânicos se espalharam pelo mundo, habitando terras ermas, profundezas oceânicas e montanhas altas. Embora a maioria se isole da humanidade, contatos não são raros. Em alguns lugares, dragões convivem pacificamente com mortais. Em outros, são seus predadores.


Finalmente, dentre as seis "Raças do Destino", duas em particular, anões e gigantes, são mais conhecidas como "raças imortais" devido ao grande poder físico e longevidade. As Raças do Destino não são imortais verdadeiros, mas, como estes e ao contrário da humanidade, elas têm elos com os elementos e função no mundo. Embora delas nasçam indivíduos excepcionais, raramente seus membros são capazes de desafiar seus destinos.


São com tais forças poderosas e perigosas que a humanidade tem de lidar. Para o homem comum, a aparição de um imortal em geral resulta em tragédia ou catástrofe. Alguns, porém, ousam desafiar esses seres. Afinal, como os kalimnorianos ainda hoje repetem: "O destino de todo imortal é morrer".

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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira