Onde o vento faz a curva e Judas perdeu as botas


Em meio à caatinga hostil que preenche a Cornália, uma área chama atenção por sua vegetação pujante: o Vale Verde.


Situado entre os dois braços que se dividem do Rio Seu Chico, o Vale Verde sempre foi o coração da Terra dos Cornos. Em seu interior e arredores se situam as mais ricas fazendas de toda a região.


São inúmeros assentamentos, a maioria pequenos demais para constar no mapa, mas não é coincidência que três das quatro grandes cidades da Cornália também se localizem ali.


Curva do Vento, Bota do Judas e Santa Rita. Nascidas de fazendas antigas, essas cidades se desenvolveram muito mais do que a maioria dos assentamentos da Cornália. Cada uma é um símbolo de segurança e prosperidade, contrastando com a hostilidade dos sertões.


Curva do Vento, por exemplo, foi no passado uma terra sagrada para o misterioso povo wing'du, que cruzava o sertão para visitar as "ilhas" flutuantes ali localizadas. Para se estabelecer um assentamento, foi preciso expulsar os alados. Tal conflito acontecera há muitas gerações, mas confrontos com esse povo guerreiro ainda ocorrem ocasionalmente, os últimos ainda na memória recente da população.


Na ponta mais ao leste do Vale Verde está Bota do Judas, talvez a segunda mais próspera cidade de toda a Cornália. Sua posição estratégica a torna um entreposto comercial perfeito, ligando oeste e leste da Terra dos Cornos, bem como permitindo viagens fluviais para o sul.


E, falando no sul, não nos esqueçamos de Santa Rita, na terceira ponta do "triângulo" formado pelos braços do rio. A cidade decaiu recentemente, mas agora se recupera do belicoso governo do finado Coronel Tibúrcio Mendes.


Essas três grandes cidades não são os únicos esplendores da área. Vilas maiores, como Seu Inácio do Passaquatro e Itapopó da Mata, também ganham evidência aqui. Inclusive, acredita-se que Itapopó se tornaria uma cidade importante, não fosse um ataque de dragões volkoritas há pouco mais de uma década.


Há quem atribua a prosperidade do Vale Verde à fartura de recursos naturais. Água e madeira, afinal, valem ouro nessas terras secas e quentes. Contudo, não é apenas a natureza que garantiu o crescimento desses assentamentos. Houve um outro fator, bem mais humano: uma escolha feita pelos coronéis que ali governavam.


Um sacrifício foi feito, mas esta é uma história para outro dia...

Este artigo faz parte do Compêndio da Terra dos Cornos.

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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira