Relembrando: Jornada para a Terra dos Cornos

Um mês antes de começar a lançar os capítulos do livro, eu fiz uma série de quatro textos, "Jornada para a Terra dos Cornos".

Se você já está lendo os capítulos, revisitar esses textos pode ser interessante. Há alguns bons "insights" nele sobre o que estaria por vir... e o que ainda não veio!

Replicando-os aqui:

JORNADA PARA A TERRA DOS CORNOS

Há cerca de uma década, não me recordo exatamente quando, eu acabava de rabiscar um sistema de regras de RPG e começava a planejar uma nova campanha. Só tinha certeza de duas coisas: seria um ambiente de fantasia heroica, e o nome do cenário seria Anima ("alma"). Chamei os jogadores, expliquei rapidamente a premissa e deixei-os imaginar livremente seus personagens em conceitos gerais.

Aquilo daria origem a uma aventura grandiosa que durou mais de quatro anos, ao longo dos quais o rascunho de um mapa se tornou o embrião de um mundo com vida própria. Cada região visitada (ou apenas comentada) ganhou história e costumes, tecendo uma trama em que tudo se interligava.

Dentre as muitas nações, estava a "Cornoália", uma região surgida de uma anotação feita apenas para preencher um canto do mapa. O nome era uma brincadeira irreverente, uma corruptela de "Cornualha", com ênfase na palavra "corno". Somente alguns meses depois eu viria a pensar nos detalhes.

Quando os personagens puderam finalmente visitá-la em nossa campanha, encontraram ali um sertão árido, dominado por coronéis e assolado por cangaceiros. "A Saga das Dez Mil Balas", foi como chamei aquele arco de histórias. O objetivo: salvar aquela terra de um coronel metido a general, que conquistava terreno pela luta armada.

Agora, dez anos depois, eu volto a essa terra árida. E você, leitor, há de conhecê-la em todos os detalhes. Essa é uma região de injustiças e sonhos, de pobreza e esperança, de monstros e homens, de heróis e santos.

Agora, o Rei do Cangaço vem para lavar o sertão com sangue.

Além dos ermos, liberdade.

Pelo caminho, morte.

Através da jornada, justiça.

PARTE 2: Você verá Maravilhas

Faltam três semanas para você encontrar um mundo bem diferente. À primeira vista, as coisas parecerão arcaicas, paradas num tempo colonial. Anima, contudo, não é um mundo primitivo. Ao invés de tecnologia e medicina, outras ciências se desenvolveram por lá.

E, conforme sua jornada pela "Terra dos Cornos" seguir, você encontrará pessoas capazes de feitos incríveis. Sacerdotes curam em nome de seus deuses, mandingueiros ameaçam seus inimigos com pestes e maldições, e feiticeiros, através de simples gestos, são capazes de conjurar mágicas poderosas.

Como gente comum pode lidar com pessoas tão poderosas? Como nosso herói enfrentará tais desafios? Bom, ele não estará sozinho na jornada. Há um personagem em particular do qual me orgulho muito. Não falarei muito dele, há de ser uma surpresa, mas creio que, ao fim da aventura, ele será o favorito de muitos.

Enquanto nossa história não começa, caro leitor, tenha paciência.

Toda mágica depende de preparação.

Quando o momento chegar, você verá maravilhas.

Mantenha-se alerta. E... contemple!

PARTE 3: O Rei do Cangaço está vindo!

Uma história não pode ser maior que o conflito que a norteia. É o vilão, pelo contraste, que mostra o valor dos atos do herói. O protagonista não existe sem o antagonista.

Sempre gostei de vilões complexos. Seria muito fácil criar um antagonista unidimensional, sem escrúpulos, que o leitor odiaria e desprezaria simplesmente porque o personagem não é retratado como um ser humano complexo.

Para mim, vilões precisam parecer pessoas reais. Eles devem ter sentimentos, motivações e ideias reais, com as quais às vezes o leitor possa até mesmo se identificar. "Talvez ele esteja certo", podemos hesitar em pensar.

Em duas semanas, quando a jornada de Zé Calabros começar, você conhecerá um nome que pode não significar muito a princípio: "Severino".

Mas este homem não é o único obstáculo no caminho. Seguem-no alguns dos maiores terrores da Cornália, que vão de pistoleiros a mandingueiros. Entre seus lacaios, há até mesmo aqueles que evocam virtudes e belas palavras, enaltecendo a justeza de sua causa sangrenta.

Sonhos dourados costumam originar tempos sombrios. Conforme nossa história avançar, você conhecerá mais e mais dessa tenebrosa figura e, em algum momento, terá de julgá-lo: será esse homem (ou demônio?) vítima ou algoz? Seus fins justificam toda a violência e brutalidade?

A cruzada começa. O Rei do Cangaço está vindo!

Sangue e fogo lavarão a Terra dos Cornos.

E o brado ecoará nos sertões: "Vida e morte, Severino!".

PARTE 4: Carregando o mundo nas costas

O que é um herói?

Ou, talvez, o correto seja perguntar: o que cria um herói?

É a abnegação? A pura convicção moral?

Não. Heróis são humanos, cheios de falhas e vícios. Seus objetivos nem sempre são nobres, podem ser egoístas.

Então o que é? O destino? A sorte?

Nada disso. Heróis são forjados pelas necessidades e temperados pelas agruras. Eles se erguem acima dos demais porque se mantêm em pé, não importando o peso sobre seus ombros.

Mas há algo mais que forma um herói. Por mais egoísta e falho que seja, o herói sacrifica a si mesmo antes de cogitar sacrificar outrem. Ele está disposto a sofrer, mas não a espalhar sofrimento.

Com sua resiliência e força de vontade, heróis nos inspiram, nos enchem de esperança, nos fazem acreditar que nossos esforços valem a pena, que podemos construir grandes obras. E assim, levam-nos a buscar o melhor em nós mesmos, a superar nossos limites.

No mundo de hoje, utilitário, pragmático e acovardado, precisamos de heróis para nos lembrar de que a vida real é árdua, que o bem não se fará sozinho e que nós não podemos contar com benfeitores ou com a sorte. Somos nós quem controlamos as rédeas de nossos destinos e os conduzimos pelo traiçoeiro terreno da existência.

Em alguns dias, você conhecerá Zé Calabros, cabra-macho do sertão. Um homem que perdeu tudo muitas vezes. Um errante com sonhos impossíveis. Um santo que, na ausência dos deuses, decidiu fazer seus próprios milagres.

Esteja preparado, leitor, pois a jornada será árdua, os perigos serão inúmeros, e o destino não tem piedade.

Afinal, o caminho para a grandeza é pavimentado com dificuldades.

Livro Atual
Zé Calabros na Terra dos Cornos
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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira