O culto ao mar


Anaren, Anaren Protege a quem na onda vem. Traz o peixe e o camarão ao pescador. Lembra que o náufrago é filho do senhor. Prometo-lhe o sacrifício no seu altar, seu dízimo lançado ao mar. Rei do oceano e da tempestade, apiede-se de seu servo, ó majestade.

Anaren do Mar.

Anaren'mar.

Rei Anar.

Yama-ren.


O Deus dos Mares é conhecido por inúmeros nomes. Seu culto é, em competição com a Igreja do Sol, uma das religiões predominantes do continente.



Não é difícil de entender a onipresença dessa fé: o oceano toca a maioria das grandes nações de Anima. As ondas são obstáculos para o comércio. As profundezas são fonte de alimento de muitas cidades.


O culto ao mar mantém sua relevância por sua praticidade. Suas preces e cânticos transmitem ensinamentos seculares para a sobrevivência no mar; nós de marinheiro são seus símbolos sagrados; as histórias trazem lições sobre o mar e as criaturas das profundezas. Mesmo entre os descrentes, ninguém se lança às ondas sem reconhecer a sabedoria contida nos versos de Anaren.


Embora lendas variem com a região, o mito central do culto diz que os homens, devido à arrogância, foram expulsos de sua terra original, um paraíso idílico. Lançados ao mar, foram guiados pelo Senhor das Marés até o continente de Anima, onde viveriam uma existência imperfeita, sempre sonhando em retornar à terra perdida além do oceano.


Anaren é um deus caprichoso. Nem bom, nem mal, às vezes um tanto cruel, ele valoriza a coragem e a humildade. Não tolera ser desafiado e pode a qualquer momento testar uma pessoa, lançando sobre ela as mais terríveis provações, mas também pode sentir súbita simpatia pelos homens, dando-lhes benesses inesperadas.


A religião não é organizada nem hierarquizada. O treinamento dos sacerdotes é informal, passado de mestre a pupilo, e nem todos os homens de fé aprendem a evocar os poderes do deus. Embora monoteísta, não é incomum que seus crentes adorem também a outros deuses, como Sunth ou o Divino Pai.


Entre os estudiosos, acredita-se que o culto a Anaren é um resquício dos atalli, povo antigo destruído pelo rei-destino. Especula-se que o herói lendário, August, era seu descendente, e que, assim como o culto, aspectos dessa cultura remota ainda sobrevivem nas tradições da atual nação de Atallantys.



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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira