Paroeste, o ermo ocidental


Afastando-se dos grandes rios da Cornália, o forte sol, as raras chuvas e o vento austral tornam a terra mais quente e seca. É o caso do "Paroeste", região cujo nome remete à frustrada marcha de colonos que tentaram povoá-la em tempos idos. O Paroeste é o limite ocidental da Cornália, estendendo-se desde a cordilheira do "Grande Tê" até as margens do Seu Chico e seu braço esquerdo, o Chico Sinistro. Embora não seja tão perigoso quanto a venenosa Catinga Danada, o terreno do Paroeste é árido e hostil, sem rios ou mesmo córregos perenes. A pouca água disponível vem de poços artesianos ou das ocasionais tormentas vindas da Baía da Tempestade. Poucos povoados se estabeleceram no Paroeste, em geral nas áreas mais a leste, onde as águas do Seu Chico nutrem a vegetação e os lençóis freáticos. Mesmo os vilarejos mais bem-sucedidos, como Meidunada, Santo Despedido e Terra dos Pobres, são pequenos e pouco desenvolvidos. Ao longo das estradas, sítios e fazendas lutam para sobreviver em meio à aridez, e ruínas de assentamentos abandonados não são incomuns. Poucos ousam desbravar essa terra seca. Por ela, costumam viajar apenas cafuzos nômades, aventureiros e bandidos. Além dos perigos da secura e do calor, os sertões são lar de criaturas perigosas, como boitatás, tremenduás e carcarás colossais. Há quem diga que várias ilhas flutuantes, sagradas para os wing'dus, podem ser encontradas nas áreas ao sul e sudoeste. Quem se aventura para o oeste eventualmente encontrará os paredões imponentes das montanhas do "Grande Tê", a cordilheira cujo apelido remete ao seu formato e divide o norte do continente em três partes. O contraste dos distantes cumes nevados e tempestuosos com os sertões aridos abaixos é evidente. A travessia pelas montanhas, sem nenhuma rota estabelecida, é extremamente perigosa. Por isso, a serrania é considerada o limite ocidental da Cornália. E além das montanhas? Segundo dizem, há uma vastidão selvagem e pantanosa, castigada por tempestades constantes e habitada por humanóides canibais conhecidos como "glutões" (ou "caiporas", como os cafuzos os chamam). Embora tal terra estranha tenha potencial para muitas riquezas, os obstáculos naturais e o isolamento impediram que qualquer civilização se estabelecesse ali.

Este artigo faz parte do Compêndio da Terra dos Cornos.


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As Crônicas Anímicas

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