A Velha Rota


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Espremida entre o sertão e o mar, a Cornália sempre existiu no isolamento. A única rota assegurada levava para o leste, ao reino de Dragona, e sempre foi através dela que os cornos tiveram contato com o resto do mundo.

É bem verdade que ocasionalmente algum barco arrisca a perigosa viagem para o oeste, seguindo a costa da Baía da Tempestade para alcançar as cidades da Adagalha, mas poucas almas estão dispostas ou preparadas para tal aventura.

Quanto ao sul, há reinos distantes aguardando quem ousar enfrentar os extensos sertões, mas esta também não é uma tarefa fácil.

Por anos, tal travessia era possível seguindo os afluentes do Rio Seu Chico, ao sudoeste. Desta forma, o trecho de sertão a ser atravessado se tornava bem mais curto. Contudo, a expansão e isolamento dos matrixianos acabou dificultando essa jornada.

Como alternativa, desbravadores tentaram estabelecer uma nova rota comercial a partir da cidade mineira de Abaetê do Sul. Ao custo de muitas vidas, esses aventureiros audazes atravessaram a aridez venenosa da Catinga Danada e alcançaram as cerrados distantes. Logo, o caminho estabelecido passou a ser chamado de "Rota Prometida".

Contudo, a iniciativa não prosperou. A longa jornada tomava dias, e muitos viajantes não resistiam às agruras da falta de água, do vento constante, dos monstros da região ou do solo venenoso. Vários assentamentos fracassaram em prosperar ao longo do caminho. O único a ter algum sucesso, graças à descoberta de água sob a terra, foi a vila de Seu Menino do Meio do Caminho.

Logo, cada vez menos caravaneiros se dispunham a cruzar aquela estrada, preferindo o comércio mais seguro e lucrativo com o oriente. Seu Menino do Meio do Caminho, uma promessa de entreposto comercial vistoso, acabou se tornando um foco de miséria, bandidagem e desesperança.

Assim, a "Rota Prometida", abandonada, passou a ser conhecida como a Velha Rota.

Este artigo faz parte do Compêndio da Terra dos Cornos.

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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira