Introdução: O Reino dos Dragões

Drago. General, protetor, pai, vingador, salvador. Em sua homenagem, ele e sua elite de guerreiros ficaram conhecidos como "os dragões". Há muito, muito tempo, ele, general, tomou para o antigo império a grande península no nordeste do continente, uma terra exótica de plantas carmesins e nativos de pele de ébano. Findada a conquista, ele, protetor, ali constituiu família. Com a idade, aposentou-se com orgulho, deixando ao primogênito sua posição entre os dragões. Um dia, contudo, convocados pelo rei-destino, os dragões, filho incluso, partiram para a distante capital do império. Eles jamais retornariam, pelo menos não como homens. Drago, pai, ficou a esperá-los, mas, no lugar deles, vieram criaturas colossais de sangue ígneo. Sem aviso, os monstros alados desceram sobre as cidades daquela terra rubra, trazendo devastação, dor e morte. A família de Drago foi dizimada naquela tragédia sem sentido. Horrorizado, ele ouviu de sobreviventes que as criaturas não só serviam ao império, como se chamavam "dragões". E assim, ele, vingador, partiu para o ocidente, buscando respostas e justiça. Por muitos anos, Drago lutou nas titânicas batalhas daquela época. Apesar da idade, suas mãos ainda eram capazes de empunhar a espada e manipular o fogo. Lá, nas terras ancestrais do império, ele se encontrou com outros heróis lendários e, juntos, confrontaram o rei-destino. Contra o impossível, deram fim ao reinado do deus insano. Quando Drago retornou à sua terra rubra, veio acompanhado por alguns dos dragões que restavam. Embora condenados naquela forma monstruosa e sem memórias de suas vidas passadas, suas almas tinham sido salvas, e eles serviam seu general mais uma vez. Um pacto foi feito, unindo as duas raças. Eternamente gratos, os dragões seriam protetores, garantiriam a paz. E Drago, salvador, foi aclamado rei. Assim nasceu Dragona, o reino dos dragões.

Não ousem, imortais, este povo afrontar. A justiça há muito feita jamais há de se findar. Tenham sempre na lembrança o mal causado aqui e o luto de um pai que fez um império ruir. Que fique o alerta aos déspotas que virão: não se julguem impuníveis, não despertem o Dragão.

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As Crônicas Anímicas

© 2016 Tiago Moreira